Em clima de cautela, mercado aguarda aprovação de pacote

No novo plano, que será votado pelo Senado hoje, foram incluídas medidas que dão garantias aos correntista

01 Outubro 2008 | 12h37

Instabilidade e oscilação dão o tom dos negócios no mercado financeiro desde o agravamento da crise norte-americana. Nesta quarta-feira não poderia ser diferente. As bolsas voltaram a operar em queda na expectativa de aprovação do pacote de ajuda ao sistema financeiro dos EUA. Este também foi o motivo para a recuperação das ações ontem, depois de uma segunda-feira negra nos mercados.  Veja também:Pacote americano prevê garantia maior a correntista Especialistas dão dicas de como agir no meio da criseBolsas européias operam em alta na abertura  Senado dos EUA vai votar pacote de resgate nesta quartaAções de empresas na Bovespa perdem R$ 179 bi em setembroA cronologia da crise financeiraVeja os principais pontos do pacote dos EUA Entenda a crise nos EUA Entenda o que acontece com o fracasso do pacote   A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair mais de 4% durante a manhã. Às 12h20, a queda é de 3,46%. Em Nova York, as bolsas também operam no terreno negativo. A Dow Jones cai 1,50% e a Nasdaq recua 1,77%. No mercado cambial no Brasil, o dólar comercial é vendido a R$ 1,9420, em alta de 2,10%. O pacote de ajuda ao sistema financeiro volta ao Senado para votação nesta quarta-feira. No novo plano, foram incluídas medidas que dão mais garantias aos correntistas e, ao mesmo tempo, tenta reduzir a desconfiança dos investidores com as condições de equilíbrio do sistema financeiro. A primeira medida é o aumento do valor dos depósitos garantidos - de US$ 100 mil para US$ 250 mil. Outra idéia é a ampliação do prazo para a "marcação a mercado". Isso significa que os gestores de investimentos teriam mais tempo para ajustar o valor dos ativos que compõem a carteira de aplicações. Além disso, o plano que vai a votação no Senado deve trazer ainda uma proposta de benefício aos desempregados. Nesta manhã, os bancos centrais da Europa (BCE) e da Inglaterra (BoE) voltaram a injetar quantias bilionárias de dólares no mercado europeu para dar liquidez aos mercados, segundo informações da agência Dow Jones relatadas pela editora Nathália Ferreira. Embora liquidez (volume de negócios) seja o problema alegado na maioria das intervenções dos BCs, o medo maior do investidor parece ser outro: a capacidade de cada emissor de dívida de honrar seus compromissos num momento em que os preços dos ativos caem e dificultam os processos de desalavancagem.  O fato é que os mercados voltaram desde ontem à estaca zero, ao ponto em que estavam em meados da semana passada: esperando o pacote de dinheiro público destinado a "salvar" Wall Street. Na última semana, as esperanças foram frustradas ainda na sexta, quando as negociações emperraram. Se o pacote passar hoje, é provável que o mercado tenha mais um dia de alívio.  Faltará, porém, a aprovação na Câmara, onde as negociações serão mais difíceis. Se passar também em uma Câmara pressionada pela decisão anterior dos senadores, amanhã ou depois, será mais um pretexto para comemoração dos mercados. O medo de uma crise "extremamente grave" poderá ser minimizado,sendo substituído pelo temor de uma crise "apenas grave", ou "bastante grave".

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