Em crise, estaleiro diz que fará 2 navios para Petrobrás com 100% de conteúdo nacional

Dilma participa da cerimônia de entrega do nono navio construído dentro do programa de modernização da frota da Transpetro

Fernanda Nunes, enviada especial, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 13h45

IPOJUCA - Atingido pela crise decorrente da operação Lava Jato da Polícia Federal, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) espera ter o apoio do governo para continuar construindo navios para a Petrobrás, segundo o seu presidente, Harro Ricardo Schlorke Burmann. Em discurso, ele pediu a contribuição "do governo para a continuação das encomendas e ampliação da carteira (de navios)". Em contrapartida, anunciou que construirá dois navios com 100% de conteúdo nacional.

A fala de Burmann foi direcionada à presidente da República, Dilma Rousseff, que participa de cerimônia, no EAS, em Ipojuca, Pernambuco, de lançamento do navio André Rebouças, o nono a ser concluído dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro, subsidiária de logística da Petrobrás. 

Desde outubro, 1,4 mil funcionários foram demitidos do EAS por causa de atrasos no pagamento de encomendas feitas por empresas e empreiteiras contratadas pela Petrobrás, sobretudo pela Sete Brasil. 

Ao funcionários do estaleiro, na plateia do evento, Burmann chamou de "plano de sobrevivência" os "desafios que a empresa tem pela frente". Ao todo, ao EAS, foram encomendados 22 navios, dos quais dois serão entregues neste ano. No entanto, há dúvida se alguns dos 22 contratos entrarão no plano de desinvestimento da Petrobrás, dentro do programa de desaceleração de projetos. 

Também presente ao evento, o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, em nome dos estaleiros nacionais, reivindicou a continuidade da política de conteúdo local do setor petróleo brasileiro. Em evento nos Estados Unidos, neste mês, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou que poderá flexibilizar as regras de exigência de aquisição de bens e serviços na indústria brasileira. "Estamos deixando os nossos colegas (estaleiros) asiáticos felizes", afirmou Rocha, referindo-se aos concorrentes estrangeiros do setor naval brasileiro. 

Para o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, a inauguração de duas embarcações da Transpetro no Estaleiro Atlântico Sul é mais uma prova "da enorme força" da Petrobrás. Ele destacou que a companhia não se deixou paralisar em meio às denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava Jato. 

"Desde que assumi a função (de presidente da Petrobrás), esse tem sido o meu maior compromisso: deixar claro a toda a sociedade brasileira que a Petrobrás sairá mais saudável e mais forte deste momento que estamos enfrentando", disse.

Bendine classificou a construção dos dois navios como "um bom negócio" para a Petrobras. "No médio prazo, ter uma frota moderna para quando a produção do pré-sal for suficiente para ser exportada será fundamental", afirmou, durante a cerimônia de inauguração das embarcações. 

O executivo destacou o benefício de ter uma frota da Transpetro fazendo o transporte do petróleo produzido pela estatal. "Com o uso dois oito navios (já em operação), US$ 35 milhões foram economizados anualmente e, com esses novos navios, haverá economia de US$ 21 milhões neste ano", afirmou. 

Bendine destacou ainda que os recursos que deixam de ser gastos com aluguéis de embarcações serão reinvestidos na companhia. "Com navios próprios, todo o recurso está sendo reinvestido na empresa, gerando mais valor para acionistas e para todos os brasileiros", afirmou.

Ele também fez referência às denúncias de corrupção reveladas pela operação Lava Jato. "Não permitiremos que erros de quem queria lesar o patrimônio da Petrobras se repitam", disse. "Vamos virar essa página com olhos para o futuro, com a retomada de geração de valor para os acionistas, pequeno ou grande", disse. (Com informações de Mário Braga)

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