Em crise, indústria demitiu 96 mil em 1 ano em São Paulo

Demissões acompanham queda na produção e renda média do setor recua 2,7% em maio ante mesmo mês de 2013

RIO, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2014 | 02h04

A crise na indústria afeta o emprego no maior parque fabril do País. A região metropolitana de São Paulo registrou a demissão de 96 mil trabalhadores industriais em um ano. E os funcionários que permanecem empregados no setor estão ganhando menos. A renda média recuou 2,7% em maio, ante mesmo mês do ano passado, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"É um movimento que não é estatisticamente significativo, mas mostra uma força menor na indústria", confirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A dispensa de trabalhadores acompanha a retração na produção. O emprego no segmento só não encolheu antes porque o empresário ainda se mostrava resistente a demissões, na esperança de que o cenário melhorasse, contou Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do mercado de trabalho no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas.

"A indústria percebeu que não vale mais a pena ficar segurando trabalhador, porque não vai precisar desse empregado tão cedo. Os empresários estão ajustando a força de trabalho porque o mundo não vai melhorar num horizonte próximo", explicou Barbosa Filho.

Embora desfalcada pela falta de informações de duas regiões metropolitanas, Salvador e Porto Alegre, os dados de maio mostram que o mercado de trabalho manteve o mesmo cenário de meses anteriores. O número de desempregados diminui, mas sem geração de vagas. A taxa de desocupação recua devido à migração de pessoas para a inatividade. "A taxa de desocupação está mais baixa por um motivo ruim, porque as pessoas estão saindo do mercado de trabalho, e não porque há geração de postos", diz Barbosa Filho.

A taxa de desemprego em São Paulo, região com maior peso na pesquisa, ficou em 5,1% em maio, ante 5,2% em abril. "Supondo que a taxa de desemprego nas regiões ainda desconhecidas, que representam por volta de 16% no total da geração de vagas, mantenha o patamar de maio de 2013, estima-se que a taxa de desemprego total atingiria 4,9% da força de trabalho em maio", calculou Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria.

Já a consultoria Rosenberg Associados estima que a taxa de desemprego tenha atingido 5% em maio, ligeiramente acima dos 4,9% em abril. "A perda de dinamismo do mercado de trabalho (...) continua aparecendo, a despeito da taxa de desemprego ainda baixa", ponderou a equipe da Rosenberg, liderada pela economista-chefe Thaís Zara. / D.A.

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