Em crise, setor aposta no Salão do Automóvel para frear queda nas vendas

Em crise, setor aposta no Salão do Automóvel para frear queda nas vendas

Com vendas 10% abaixo do volume registrado em 2013, montadoras contam com o evento e com o pagamento do 13.º salário para impulsionar o setor no fim do ano; entre os destaques, salão traz os novos modelos que serão produzidos no País

CLEIDE SILVA , O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2014 | 02h04

A 28.ª edição do Salão Internacional do Automóvel abre as portas ao público na quinta-feira em um momento de crise no setor automobilístico brasileiro. As vendas estão 10% abaixo do volume registrado em 2013 e várias empresas têm funcionários em lay-off (com contratos suspensos por cinco meses).

O cenário é diferente daquele registrado no último salão, em 2012, quando o setor bateu recorde, com 3,8 milhões de veículos vendidos, e diversas marcas anunciaram fábricas no País.

"O setor passou este ano por uma espécie de tempestade perfeita", diz Rodrigo Baggi, analista do setor automotivo da Tendências Consultoria.

Segundo ele, começou com o aumento do custo da energia no início do ano, passou pela interrupção do crédito do BNDES para caminhões, pela paradeira das vendas durante a Copa e depois pela crise de confiança dos consumidores e o período de indefinição das eleições.

A partir de agora, Baggi vê chances de melhora no mercado, mas não o suficiente para recuperar toda a perda verificada até este momento. Até sexta-feira, foram vendidos 2,763 milhões de veículos (incluindo caminhões e ônibus), queda de 10% em comparação a igual período de 2013.

A Tendências projeta que o ano feche com queda de 8,6%, enquanto a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mantém previsão de queda de 5,4%, porcentual que pode ser revisto nas próximas semanas.

Em outubro, até sexta-feira, foram licenciados 237,2 mil veículos, queda de 0,2% ante o mesmo intervalo de setembro, revertendo uma alta de 2% registrada na primeira quinzena do mês. Em relação a outubro de 2013, há queda também de 10%.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, acredita numa melhora no último trimestre. "Teremos mais dias úteis e teremos a abertura do Salão do Automóvel (que deve receber 750 mil visitantes), que é um motivador das vendas", diz. Ele conta ainda com a sazonalidade de fim de ano, em razão das festas e do pagamento de 13º salário, para impulsionar as vendas.

Baggi, porém, acredita que o salão terá pouco resultado nas vendas. "Teria mais impacto se os fundamentos da economia estivessem melhor".

Novidades. O salão - que hoje e amanhã estará aberto para a imprensa -, como sempre tem muitas novidades. Entre elas estão os carros que serão produzidos no País em breve, muitos deles pelas novas fábricas que serão inauguradas até 2016.

Alguns exemplos são os utilitários-esportivos Jeep Renegade, que a Fiat fará em Goiana (PE); o modelo que a Nissan fará em Resende (RJ); o Vezel que a Honda produzirá em Itirapina (SP) e o X1 que a BMW começa a fazer em Araquari (SC).

A Chery vai mostrar o novo QQ, compacto a ser produzido em Jacareí (SP) e a Volkswagen o novo Golf que em breve será fabricado em São José dos Pinhas (PR), junto com o A3 sedã, da Audi. A Peugeot mostra o 2008, a ser produzido em 2015. A Mercedes-Benz antecipa carros que fará na fábrica em construção em Iracemápolis (SP).

Embora Ferrari e Lamborghini não tenham estandes próprias, a exemplo do que ocorreu em 2012, não faltarão carrões. A Fiat, dona das duas marcas, vai mostrar um exemplar de cada um desses modelos.

Os organizadores do salão garantiram um espaço dedicado ao que chamam de "super carros" e vão expor o Rolls Royce Ghost, o Lamborghini Huracán e o Jaguar- F Type Coupê. Na linha das super máquinas também estão Ford Mustang e Corvette, da GM. Carros-conceito, que mostram tendências, também estão no evento, como o Renault Kwid. Ele circula com um drone que informa ao motorista sobre problemas de trânsito, acidentes e obstáculos./ COLABOROU RENATA VERÍSSIMO

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