Em cúpula, UE coloca Brasil como ´parceiro estratégico´

Negociações eram feitas com o Mercosul e reunião busca relacionamento direto

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h18

O Brasil, que participa nesta quarta-feira, 4, de uma reunião de cúpula com a União Européia em Lisboa, está prestes a entrar para o grupo seleto de países considerados pelo bloco como "parceiro estratégico". Atualmente, somente Estados Unidos, Canadá, Rússia, China, Índia e Japão recebem da UE esse tratamento. "Estamos reconhecendo a qualidade do Brasil como ator essencial para entrar no restrito clube de nossos parceiros estratégicos", afirmou o presidente da Comissão Européia (o executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.A cúpula desta quarta-feira, da qual participa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é a primeira reunião do tipo entre Brasil e União Européia e deve marcar o início do processo de entrada do País nesse grupo de parceiros estratégicos.Lula, que desembarcou em Lisboa na manhã desta quarta-feira, se reúne com Barroso e também com o primeiro-ministro português José Sócrates, atualmente na presidência rotatória do bloco europeu.Resultados práticos A reunião de cúpula não busca resultados práticos imediatos, mas deve procurar abrir um novo momento nas relações entre os dois lados, o que recebeu o nome de parceria estratégica.Trata-se de uma mudança na forma como a União Européia se relaciona com os brasileiros: até agora, todas as negociações eram com o Mercosul - os quatro países do outro lado da mesa - o que não ajudou a chegar a um acordo entre os dois lados.A partir da reunião desta semana, haverá uma relação especial com o Brasil, que é reconhecido como líder do bloco econômico sul-americano - o país já conta com 80% do PIB do Mercosul."A parceria estratégica com o Brasil dará uma nova coerência às relações que a Europa tem com as novas nações emergentes. A União Européia já tem essas relações com a Índia, a China e a Rússia", explicou o primeiro-ministro português José Sócrates, que atualmente ocupa a presidência rotativa do bloco europeu.O responsável pela política externa de segurança da União Européia, o espanhol Javier Solana, disse o que os europeus pretendem: "Não serão apenas reuniões anuais. Vamos discutir não somente as relações bilaterais. Reconhecemos que o Brasil tem hoje um papel extremamente importante, independentemente das parcerias comerciais, dos investimentos e da cooperação nas áreas científica e tecnológica. Há uma importante agenda global que a União Européia deve assumir, e aí as relações com o Brasil jogam um papel de relevo".Os dados europeus indicam que o Brasil já tem uma relação econômica especial com a União Européia, que não encontra tradução na área política. Com investimentos europeus de 80,1 bilhões de euros, o Brasil contabiliza mais capital da União Européia do que os três outros grandes países em desenvolvimento juntos - a China tem 31,3 bilhões e a Índia, 11,7 bilhões. Só no ano passado, o total investido pelos europeus no Brasil atingiu 5,2 bilhões de euros.Segundo Sócrates, as relações com o Brasil são uma das prioridades dos seis meses da presidência portuguesa da União Européia, assim como fechar o novo tratado que regula os poderes na Europa - texto que substituiu o projeto de constituição que foi derrotado em referendos na França e na Holanda -, a África e as questões do meio ambiente.Foi uma iniciativa portuguesa propor as reuniões anuais com o Brasil. A proposta foi apresentada em novembro do ano passado.

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