Alan Santos/PR
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ESG

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Em Davos, Europa quer saber se Brasil ainda quer acordo com bloco

Pós Battisti, Bolsonaro também vai se reunir com governo italiano, além de presidente da Suíça e chefe de governo do Japão

Jamil Chade, enviado especial

21 de janeiro de 2019 | 18h02

DAVOS - O governo brasileiro vai retomar o diálogo comercial com a Europa. Nesta semana, em Davos, o chanceler Ernesto Araújo vai aproveitar a presença da Comissária de Comércio da UE, Cecilia Malstrom, para debater a agenda bilateral. Na pauta, porém, não estará apenas a ideia de expandir o comércio, mas também o potencial de crise aberto diante da decisão de Bruxelas de impor sobretaxas ao aço brasileiro.

O encontro vai ser realizado à pedido dos europeus, que querem conhecer o novo interlocutor brasileiro e, acima de tudo, saber se ainda existe interesse em um acordo entre Mercosul e UE

Bruxelas não disfarçou a preocupação com a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições brasileiras e tentou acelerar a conclusão de um acordo entre Mercosul e UE antes do final do governo de Michel Temer. Mas o projeto fracassou, inclusive diante da resistência da França.

Ao Estado, diplomatas europeus não esconderam que estão “curiosos” para tentar entender qual será o posicionamento do Brasil nas negociações, principalmente diante dos sinais de flexibilização do Mercosul.

Já no início de 2019, Bruxelas ainda decidiu ampliar as barreiras aos produtos siderúrgicos de todo o mundo, em medidas que acabaram atingindo o Brasil. O governo, agora, quer negociar para tentar retirar pelo menos parte das medidas que afetam suas exportações.  

Além da UE, a agenda brasileira em Davos prevê encontros entre o presidente Jair Bolsonaro e parceiros comerciais. Pela primeira vez desde a prisão Cesare Battisti na Bolívia, Bolsonaro e o governo da Itália vão se reunir. O encontro vai ocorrer na quarta-feira, 23, às margens do Fórum.

Fontes em Roma confirmaram ao Estado que os italianos querem abrir um “novo capítulo” na relação bilateral. Bolsonaro estará com o primeiro-ministro, Giuseppe Conte que, no dia da prisão de Battisti, telefonou para negociar com o brasileiro uma deportação direta do condenado, sem passar pelo Brasil. A imprensa italiana chegou a tratar a presença de Bolsonaro em Davos como de um “superstar”. 

Outro encontro bilateral de Bolsonaro no dia 23 será com o presidente da Suíça, Ueli Maurer, que lidera o partido de direita no país alpino. Berna já indicou que quer aproveitar a chegada do novo presidente brasileiro para falar em uma estratégia para ampliar o comércio e investimentos. Maurer é do Partido do Povo Suíço que, há poucos anos, criou uma polêmica internacional ao fazer uma publicidade sugerindo que as ovelhas brancas chutassem para fora da Suíça as ovelhas negras.  

O encontro tem sido alvo de debates, já que partidos políticos de centro e esquerda querem garantias de que Maurer também tratará de de temas como meio ambiente, democracia e direitos humanos com Bolsonaro. 

O presidente brasileiro também tem um encontro fechado com o primeiro-ministro do Japão, Shiunzu Abe. 

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