Em decisão unânime, Copom mantém juro em 11,25% ao ano

Banco Central sinaliza que está atento à situação da economia brasileira

Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo,

23 de janeiro de 2008 | 20h05

Em meio à turbulência internacional, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa básica de juros (Selic) em 11,25% ao ano, pela terceira vez consecutiva. A decisão, unânime e sem viés, veio de acordo com a expectativa geral do mercado financeiro, mas trouxe um recado para os analistas: a política monetária poderá mudar nos próximos meses. Ou seja, o Banco Central (BC) deixou aberta a possibilidade de voltar a elevar os juros a qualquer momento.  Veja também: Investidor deve manter cautela no curto prazo  A evolução da taxa Selic desde o início do governo Lula   Indústria espera retomada da queda do juro Comércio critica e pede juro menor Força Sindical critica decisão do Copom "Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 11,25% ao ano, sem viés. O comitê irá acompanhar o cenário macroeconômico até a sua próxima reunião para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", destacou a autoridade monetária em comunicado divulgado após a reunião. Na avaliação dos economistas, o resultado era uma unanimidade no mercado. Isso porque, além das incertezas externas, o cenário doméstico de inflação está se deteriorando. "Ninguém mais aposta em inflação de 4% neste ano. As últimas expectativas das instituições apontavam para 4,4% e deve subir para 4,6% nas próximas sondagens. O pior é que a deterioração também está afetando as expectativas para 2009", destaca o sócio da Tendências Consultoria Integrada, Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda. Na opinião dele, a decisão unânime desta quarta mostra que os diretores do BC estão afinados no discurso sobre o cenário econômico. Os novos diretores do BC Anthero de Moraes Meirelles (Administração), Alvir Alberto Hoffmann (Fiscalização) e Maria Celina Berardinelli Arraes (Assuntos Internacionais) participaram pela primeira vez da reunião do Copom. Entre os fatores de pressão de alta sobre inflação está a evolução dos preços de alimentos. Além disso, o aquecimento da economia, impulsionada pelo crescimento do crédito, pode ser uma ameaça aos índices inflacionários. Isso porque o nível de utilização da capacidade instalada está alto. Em novembro estava em 82,9%, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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