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Em deserto de inovação, país encontra Oásis

Empresas apostam em vantagens competitivas locais, como a riqueza da flora nacional, para criar patentes brasileiras

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2010 | 00h00

O Brasil inova pouco: aplicou 1,3% do PIB em pesquisa, menos da metade da média de países desenvolvidos. Além disso, o trabalho está concentrado no setor público, que responde por 55% do investimento, contra 45% da iniciativa privada - o ideal, dizem especialistas, seria o contrário. A versão mais recente da Pimes, pesquisa do IBGE sobre o tema, mostra que, entre 2005 e 2008, mais empresas se disseram inovadoras, mas o número de profissionais contratados para esse fim caiu (veja quadro abaixo).

Esse quadro faz do País basicamente um "importador de tecnologias", segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, fundação paulista de amparo à pesquisa. Entretanto, Cruz diz que uma das saídas do Brasil é apostar em suas vantagens competitivas para criar produtos que sejam aceitos ao redor do mundo.

Entre as possibilidades para a criação de patentes de produtos brasileiros estão o uso de recursos naturais e de tecnologias localmente consagradas, como a do álcool combustível.

A petroquímica Braskem usou a cana de açúcar como matéria-prima para desenvolver o "plástico verde", abrindo um novo nicho em um setor no qual o Brasil é considerado líder há 30 anos. A fábrica da empresa em Triunfo (RS) já produz plástico para embalagens e, a partir de 2013, deverá expandir a produção para uma variedade a ser usada também para fins industriais, como em painéis de carros, por exemplo.

A decisão de investir em produtos de ponta, segundo Edmundo Aires, vice-presidente de inovação e tecnologia da Braskem, acarretará a aplicação de um porcentual maior da receita da empresa em pesquisa e desenvolvimento: a proporção, que hoje é de 0,3% do faturamento, subirá para 1% em cinco anos. O número de cientistas trabalhando na empresa vai dobrar em igual período, chegando a 700.

Para aproveitar a riqueza da flora brasileira, a farmacêutica Eurofarma desenvolve o projeto Aleurites, que pretende transformar em sua primeira patente fitoterápica em parceria com a universidade catarinense Univali - segundo o laboratório, o produto tem propriedades analgésicas e anti-inflamatórias. Os testes clínicos do medicamento começam em janeiro; a projeção é que novidade chegue ao mercado em três anos.

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