'Em dez dias já distribui 50 currículos no mercado'

'Em dez dias já distribui 50 currículos no mercado'

Viviane foi demitida e agora disputa vagas com candidatos de todas as idades

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2015 | 20h06

Depois de trabalhar dois anos como vendedora na Livraria Saraiva, Viviane Noal Silva, de 25 anos, foi demitida no mês passado e agora está à procura de um emprego temporário para se recolocar no mercado de trabalho.

Acabei de ser desligada da empresa por causa da crise”, conta a ex-vendedora. Viviane diz que decidiu buscar um novo emprego imediatamente e não solicitar o seguro-desemprego porque acredita que pode, neste momento, encontrar um brecha para voltar ao mercado de trabalho como temporária e, depois, ser efetivada. 

“Em dez dias já distribui 50 currículos para empresas e agências de empregos”, conta a ex-vendedora. Na peregrinação por um novo emprego, ela já percorreu as agências espalhadas pela rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo, e se deparou com salas lotadas de pessoas à procura de uma vaga. 

Até agora, Viviane foi chamada por cinco recrutadores, a maioria para conversas informais, nada firme e em caráter de pré-seleção. “Acho que vai ser difícil me recolocar.”

Viviane ficou assustada também com o grande número de candidatos interessados em duas vagas oferecidas por um hotel de São Paulo na semana passada. “Apareceram 70 pessoas. Tinha até gente de mais idade procurando emprego.”

Como vendedora, ela ganhava na livraria R$ 1.200 por mês. A sua demissão, segundo ela, ocorreu porque a companhia, para cortar custos, decidiu substituir os vendedores por estoquistas para desempenharem a mesma função, mas por um salário menor. Como não é permitido reduzir o salário na carteira de trabalho, ela foi desligada da empresa.

Procurada, a Saraiva informou, por meio de nota, que não comenta suas estratégias de negócios ou políticas de gestão. “Diante do cenário macroeconômico cada vez mais desafiador, a companhia busca oportunidades de melhoria de eficiência da operação, incluindo revisão de sua estrutura organizacional”, informou. A empresa explicou também que tem vendedores que se dedicam exclusivamente aos clientes, “enquanto outros colaboradores são responsáveis pela gestão do estoque ou caixa”.

Salário. Com a concorrência acirrada por uma vaga, Viviane acredita que será difícil se recolocar no mercado trabalho ganhando o mesmo salário de R$ 1.200. As vagas que têm aparecido estão na faixa de R$ 1.000 e para uma carga horária maior, de oito horas, no lugar de seis que tinha no último emprego. Mesmo assim, ela se diz disposta a aceitar um salário menor.

No momento, com a rescisão que recebeu do seu último emprego, Viviane diz que tem fôlego para bancar as despesas por três meses, mas contando com a ajuda do marido que está empregado.

Mesmo assim, ela ficou cautelosa no gasto. “Só com aluguel deixo R$ 1 mil por mês”, conta Viviane. Com prestações já assumidas para compra de roupas, eletrônicos, por exemplo, ela desembolsa mais R$ 600 mensais. Por enquanto, ela diz que não está inadimplente e que usou parte da rescisão para quitar as dívidas.

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