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Stone denuncia vazamento antes de IPO

Com abertura de capital marcada para esta quinta-feira, 25, na Nasdaq, em Nova York, brasileira informou problema a autoridades dos EUA e disse sofrer chantagem

Fernando Scheller e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2018 | 18h39

No dia da definição do preço de sua abertura de capital na Nasdaq, pregão de tecnologia de Nova York, a empresa brasileira de pagamentos Stone informou à Securities and Exchange Commission (SEC, na sigla em inglês), órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil, ter sido vítima de vazamento de informações e de tentativa de chantagem. No comunicado enviado na quarta-feira, 24, ao órgão regulador americano, a Stone afirmou ter tomado conhecimento do problema na terça-feira.

A Stone está com o IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) marcado para esta quinta-feira, 25, na Nasdaq. A faixa indicativa de preço do papel ficou entre US$ 21 e US$ 23, com demanda muito acima da oferta e interesse de diversos grandes investidores. A lista de interessados em investir no negócio inclui a gigante chinesa Alibaba e a Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett.

A companhia segue os passos da rival PagSeguro, que captou US$ 2,7 bilhões em janeiro, no maior IPO de uma empresa brasileira no mercado americano. A participação da companhia no mercado alcançou fatia de 5,4% no primeiro trimestre de 2018, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Ao contrário da PagSeguro, que tem foco nos pequenos comerciantes, a Stone prioriza o empreendedor de porte médio, batendo de frente com as líderes Cielo e Rede.

Efeitos

Ainda não há informações se o vazamento informado à SEC deverá ter algum impacto sobre a abertura de capital da companhia, embora a própria Stone tenha citado, no comunicado, que vazamentos deste tipo têm potencial para afetar negativamente o preço de suas ações.

Procurada no fim da tarde de quarta-feira, 24, a assessoria de imprensa da Stone não quis prestar informações além do comunicado enviado à SEC.

No documento, a Stone disse acreditar que o acesso não autorizado não tenha incluído “uso indevido de informações financeiras ou dados” de clientes. A empresa de pagamentos afirmou que continua a monitorar a situação, inclusive com a contratação de uma consultoria externa para ajudar na investigação, que está em estágio inicial. A empresa deverá ainda acionar a Justiça brasileira. No comunicado, a empresa frisou que está sofrendo ameaças de novos vazamentos caso não concorde em fazer pagamentos em dinheiro.

O Estado consultou uma empresa especializada em vazamentos de dados para entender a extensão do problema da Stone. A empresa afirmou, no entanto, que o comunicado traz informações vagas, que impediriam uma análise do problema.

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