Em dia de euforia, bolsa sobe 13%

Mesmo com indicadores negativos divulgados nos Estados Unidos, mercados fecharam em alta em todo o mundo

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

29 Outubro 2008 | 00h00

O mercado financeiro global viveu ontem um dia de súbito bom humor, apesar da divulgação de indicadores ruins sobre a economia americana. Às vésperas da decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), que deve reduzir entre 0,5 e 0,75 ponto porcentual os juros hoje, os investidores embalaram um movimento de recuperação que atingiu bolsas do mundo inteiro, um dia depois de os principais índices acionários terem despencado.A reação começou com o desempenho positivo das bolsas asiáticas e se propagou pela Europa e por Wall Street. O Dow Jones fechou em alta de 10,88%, o Nasdaq, de 9,53% e o SP 100, de 10,84%, ignorando os dados negativos divulgados ontem.O índice de confiança do consumidor americano caiu à mínima histórica em outubro - de 61,4 para 38 - e as expectativas pioraram. O índice de atividade industrial na região coberta pelo Fed de Richmond também recuou. Para completar o quadro de más notícias, o índice de preços dos imóveis Case-Shiller teve queda recorde em agosto. Nada, no entanto, mudou o bom humor dos investidores, que foram às compras.Por aqui, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou em forte alta de 13,42%, em 33.386 pontos - um dia depois de recuar ao menor nível desde outubro de 2005. Foi a primeira alta da bolsa paulista depois de cinco quedas consecutivas. O dólar caiu 2,63%, cotado em R$ 2,185.Além de acompanhar o cenário internacional, a Bovespa BM&F reagiu a algumas medidas do governo em relação ao crédito. Entre elas está o pacote de ajuda que será anunciado hoje para o setor de construção civil, que prevê uma linha de financiamento de capital de giro para as empresas no valor de R$ 3 bilhões. Com isso, as ações das principais construtoras dispararam na bolsa ontem. No Ibovespa, a campeão de valorização foi a Cyrela, com alta de 31,61%. A Gafisa, outra importante empresa na área imobiliária, subiu 29,63%. Além disso, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, se reúne hoje para definir a taxa de juros até dezembro. A expectativa é que haja uma interrupção do ciclo de alta da Selic.A melhora nos ânimos dos investidores ontem, no entanto, não significa o fim da volatilidade. Para analistas, é apenas de uma trégua. A maioria nem conseguia entender o desempenho dos mercados diante das más notícias. "O mercado está irracional. Foi uma recuperação técnica", disse o economista da Corretora Umuarama, Rafael Moysés. E o consultor de private banking do Banco Real, Delano Marques, acrescenta: uma explicação para um movimento tão forte pode ser a tentativa dos investidores de melhorar suas posições no fim de mês.

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