Em dia de oscilação, Bolsa sobe 0,64% e dólar recua

Investidores aguardam reunião do banco central americano amanhã, quando sairá a decisão sobre juros nos EUA

Claudia Violante, da Agência Estado,

23 de junho de 2009 | 17h54

As perdas exageradas da segunda-feira foram substituídas por um pregão de muita oscilação na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), sobretudo no período da manhã. À tarde, a alta das commodities metálicas e do petróleo, ignorada na primeira parte do dia, acabou se refletindo nas ações das principais empresas negociadas na bolsa. Petrobras e Vale, mais as siderúrgicas, que subiram com bem mais força, garantiram alta ao Ibovespa, mas insuficiente para recolocá-la de volta na casa dos 50 mil pontos.

 

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O Ibovespa - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - terminou com ganho de 0,64%, aos 49.813,58 pontos. Na mínima do dia, registrou 49.130 pontos (-0,74%) e, na máxima, os 49.902 pontos (+0,82%). No mês, a perda acumulada é de 6,36%, mas, no ano, o ganho chega a 32,66%. O giro financeiro totalizou R$ 6,988 bilhões, dos quais R$ 2,564 bilhões da Oferta Pública de Aquisição (OPA) das ações ordinárias da Brasil Telecom Participações e da Brasil Telecom operadora. Os dados são preliminares. No mercado de câmbio, o dólar fechou em R$ 1,9820, em baixa de 2,08%.

 

Hoje, apesar dos indicadores ligeiramente mais fracos do que as projeções no exterior, o mercado também não mostrou muito entusiasmo por lá. As bolsas fecharam sem trajetória definida, mas não muito longe da estabilidade. Os investidores aguardam a reunião do banco central norte-americano amanhã, quando sairá a decisão de política monetária dos Estados Unidos.

 

É fato que ninguém espera que o Fed vá mudar a taxa de juros, que hoje orbita ao redor de zero, nem que altere o programa de compras de títulos do Tesouro. Mas a expectativa perene é de que a autoridade monetária dê sinais do que pretende fazer no seu comunicado.

 

À espera do encontro do BC dos EUA, o Dow Jones terminou em queda de 0,19%, aos 8.322,91 pontos. S&P avançou 0,23%, aos 895,10 pontos, e Nasdaq teve baixa de 0,07%, aos 1.764,92 pontos. Bancos e petrolíferas subiram, mas a Boeing teve forte queda depois que anunciou o novo adiamento do voo de estreia do avião 787 Dreamliner.

 

Dentre os indicadores que pautaram os negócios nesta sessão, as vendas de imóveis usados nos EUA subiram 2,4% em maio, no segundo mês consecutivo de alta. O resultado, no entanto, foi inferior ao estimado pelos analistas (+2,6%). Já o índice de atividade industrial do Federal Reserve Bank de Richmond subiu de 4 em maio para 6 em junho, ao passo que o índice de embarques caiu de 9 para 2. Um número acima de zero indica expansão da atividade.

 

Destaques no Brasil

 

No Brasil, as siderúrgicas foram destaques. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Gerdau subiram 3,88%, Metalúrgica Gerdau PN, 3,98%, Usiminas PNA, 2,11%, as ordinárias (ON, com direito a voto) da CSN, 2,64%.

 

Por outro lado, o setor financeiro foi destaque de queda, por causa, segundo operadores, da decisão judicial que poderia elevar o pagamento, entre 80% e 90%, do PIS e da Cofins atualmente recolhidos pelos bancos, na esteira da possível reclassificação da receita operacional bruta dessas instituições. Bradesco PN perdeu 2,46% e Itaú Unibanco PN, 2,07%.

 

Banco do Brasil, no entanto, fechou em elevação, após a notícia de que a instituição suspendeu as negociações para compra do controle do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes). BB ON fechou em alta de 0,10% e Banestes ON perdeu 24,78%.

 

Depois de alguma incerteza, as blue chips acompanharam a alta dos metais e do petróleo e fecharam em elevação. Petrobras ON teve ganho de 1,36% e PN, de 1,75%, Vale ON de 0,81% e PNA, de 0,87%.

 

Na bolsa eletrônica de Nova York (Nymex), o contrato do petróleo para agosto terminou com avanço de 2,58%, para US$ 69,24. A reação nos preços ocorreu após o presidente da Opep, Jose Maria Botelho de Vasconcelos, declarar que gostaria de ver os preços a US$ 80 por barril.

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