Em dia de recuperação, bolsas européias mantêm ganhos

Pessimismo da crise financeira, porém, permanece como pano de fundo; BC inglês estima perdas globais

Redação,

28 Outubro 2008 | 09h43

As bolsas européias mantêm os ganhos do início do pregão, acompanhando os mercados asiáticos, que fecharam em alta nesta terça-feira, 28. O pessimismo da crise financeira permanece como pano de fundo, mas com os investidores aproveitando para comprar ações na baixa, o dia pode ser definido como de recuperação - pelo menos até agora. Às 9h30 (de Brasília), Frankfurt avançava 6,79%, com a valorização das ações da Volkswagen; Londres subia 3,65% e Paris avançava 2,59%.   Veja também: Lições de 29 A crise de 29 na memória de José Mindlin Veja o que muda com a Medida Provisória 443 Veja as semelhanças entre a MP 443 e o pacote britânico Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    "Não é verdadeiramente uma surpresa que os caçadores de pechincha estão entrando neste mercado, apesar do fato de que as expectativas para a economia estão recuando e a perspectiva do lado das empresas é negativo", afirmou Henk Potts, estrategista da corretora do Barclays.    A alta das ações da Volks acrescenta 130 bilhões de euros à capitalização de mercado da companhia. Na máxima intraday, as ações chegaram a disparar mais de 90%. No final de semana, a Porsche disse que que já possui 42,6% do capital acionário da Volks, e tem opções para uma fatia adicional de 31,5% das ações ordinárias do grupo.   Pessimismo   Trazendo de volta o temor de um recessão global, o banco central britânico anunciou nesta terça uma estimativa de que as perdas globais para bancos e investidores na atual crise financeira podem chegar a US$ 2,8 trilhões. O número é equivalente a mais de duas vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro (de US$ 1,3 trilhão, segundo dados do Banco Mundial) e mais de 5% do PIB mundial (de US$ 54,3 trilhões).   O índice de confiança do consumidor na França atingiu mínima histórica em outubro, recuando de -44 em setembro para -47, de acordo com o departamento de estatísticas do país (Insee). Economistas consultados pela Dow Jones previam uma leitura de -46.   Nesta terça, o banco central da Islândia elevou a taxa básica de juros da economia de 12% para 18%, revertendo um corte de 3,5 pontos porcentuais feito no dia 15, quando a autoridade monetária tentou aliviar a pressão sobre a economia do país. Segundo a autoridade monetária, o aumento visa a garantir a estabilidade da moeda. O BC islandês disse também que a taxa vai recuar novamente se a inflação perder força.   Em dia de diversos balanços, a Honda Motor anunciou queda de 41% no lucro líquido do seu segundo trimestre fiscal e emitiu um alerta de lucro para o ano fiscal que termina em março de 2009, refletindo o duro período pelo qual passa a montadora japonesa, em meio à crise global.     Câmbio   No mercado de câmbio, os olhares se voltaram para o iene, após o alerta do G-7 sobre a forte valorização da divisa japonesa. Os especialistas do Standard and Chartered acreditam em uma intervenção iminente do Banco do Japão na moeda. O ministro da Economia do Japão, Kaoru Yosano, disse, porém, não acreditar que taxas de juros mais baixas evitarão a valorização do iene, sugerindo que um corte da taxa agora não teria muito efeito para estimular a economia.     Bovespa e NY   Nesta terça-feira, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc) inicia reunião de dois dias, devendo anunciar sua decisão de política monetária somente na quarta, assim como o Copom brasileiro.   Por aqui, a segunda-feira também foi de grandes perdas. Uma nova rodada de perdas profundas das ações de empresas ligadas a commodities empurrou a Bolsa de Valores de São Paulo para a quinta queda consecutiva. O principal índice da Bovespa fechou em queda de 6,50%, para 29.435 pontos. Foi a primeira vez em três anos que o índice cai abaixo de 30 mil pontos.    Novos indícios de recessão na Europa e nos Estados Unidos contaminaram os mercados de matérias-primas, empurrando as blue chips Petrobras e Vale ladeira abaixo. Em Wall Street, o índice Dow Jones desabou 2,4% nos minutos finais do pregão.     Ásia   Nesta terça, as autoridades japonesas anunciaram que irão adiantar a implementação de uma medida que proíbe a prática da venda especulativa antecipada de ações que se beneficia da tendência de queda, uma manobra conhecida no jargão financeiro pelo termo de "short selling". Com isso, o índice Nikkei, da Bolsa de Valores de Tóquio, no Japão, fechou em alta de 6,4%, depois de ter caído para o nível mais baixo em 26 anos na segunda-feira.   Além disso, os exportadores foram ajudados por uma queda acentuada no valor da moeda japonesa, o iene, contra o dólar. Os valores das ações caíram na abertura dos mercados na Ásia nesta terça, depois de um dia de instabilidade ao redor do mundo, mas se recuperaram ao longo do dia.   O índice Kospi, da Coréia do Sul, teve uma queda inicial de 2,6%, mas depois subiu para fechar em alta de 5%. Em Hong Kong, a recuperação foi ainda mais espetacular, fechando em alta de mais de 14%.   (com BBC Brasil e Reuters)  

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