Em discurso, Obama propõe US$ 30 bi para pequenas empresas

Dinheiro viria de pagamentos feitos pelos bancos ao governo americano por ativos problemáticos

André Lachini, da Agência Estado,

28 Janeiro 2010 | 07h26

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou a geração de empregos e o corte de impostos para as pequenas empresas em seu discurso sobre o Estado da União, na noite da quarta-feira (quinta-feira, 28, pelo horário de Brasília).

 

Obama propôs que US$ 30 bilhões que os bancos pagaram de volta ao governo americano, de fundos sacados no Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês) que o governo usou para os socorrer na crise financeira, sejam usados para dar crédito e financiar as pequenas empresas. Obama pediu um projeto de lei para criar empregos "sem nenhum atraso".

 

Obama também propôs cortes de impostos para pequenas empresas que contratem funcionários. "O emprego será a principal foco em 2010 e é por isso que eu peço por um projeto de lei para o emprego nesta noite", disse Obama, bastante aplaudido pelos congressistas. Obama disse que o desemprego, que atualmente atinge 10% da força de trabalho americana, será resolvido também com a geração de empregos na infraestrutura. "Depois (de financiar as pequenas empresas), vamos colocar os americanos para trabalhar hoje e construírem a infraestrutura de amanhã, com rodovias, usinas que gerem energia limpa, tecnologia de ponta".

 

Obama diz que pode usar veto para congelar orçamento

 

Obama propôs congelar o orçamento do governo americano por três anos, com exceção dos gastos militares e com os programas médicos Medicare e Medicaid.

 

"Como toda família nós trabalharemos com um orçamento para investir no que precisamos e sacrificaremos o que não precisamos", disse Obama. "Se eu tiver que forçar essa disciplina pelo veto, eu farei isso", disse Obama.

 

Desafio é combater déficit

Obama disse ter identificado cortes potenciais de US$ 20 bilhões no orçamento do ano fiscal de 2011, que começará em outubro de 2010. Segundo ele, os cortes serão detalhados na proposta do orçamento, a ser entregue na próxima semana.

 

Em 2009, o déficit do governo americano chegou a US$ 1,4 trilhão e no ano fiscal em curso, o de 2010, deverá chegar a US$ 1,35 trilhão, prevê o Congresso. O presidente dos Estados Unidos disse que emitirá uma ordem executiva para criar um comitê bipartidário que enfrentará os problemas do orçamento.

 

Obama citou várias vezes os bancos e o socorro financeiro dado no pacote no final do governo Bush. "Eu odeio o pacote. Se existe uma coisa que une democratas e republicanos é que todos odiamos o grande pacote", disse ele, referindo-se aos US$ 780 bilhões que socorreram os bancos no final de 2008. Ele ressaltou que o pacote era necessário para evitar que o sistema bancário derretesse.

 

O presidente americano pouco falou sobre política externa e abordou temas internos no discurso.

Obama também disse que passará um projeto de lei para reviver as universidades comunitárias. Ele disse que dará um crédito de US$ 10 mil a cada família que tiver um filho na faculdade.

 

Obama ameaça veto a projeto fraco de reforma financeira

 

"Os lobistas estão sempre tentando matá-la" disse Obama sobre a reforma do sistema financeiro. "Bom, nós não deixaremos eles vencerem essa luta. E se o projeto de lei que for parar na minha mesa não cumprir a função de uma reforma verdadeira, eu vou mandar ele de volta" ao Congresso, disse Obama.

A Câmara dos Representantes passou o projeto de lei em dezembro, que iria revisar a maneira como o governo regulamenta os mercados financeiros. O projeto prevê a criação de uma agência reguladora proposta pela Casa Branca para proteger os consumidores e dará mais poder aos reguladores para dividirem empresas falidas, além de aumentar a vigilância sobre produtos financeiros exóticos

 

Reforma do sistema de saúde

 

Obama voltou a defender a reforma no sistema de saúde, emperrada no Congresso. "Após 50 anos de administrações democratas e republicanas, estamos mais perto do que nunca para que cada americano tenha cobertura de saúde. Eu tenho minha parte de culpa por não ter explicado melhor a reforma na saúde para o povo americano".

 

"Na hora em que eu acabar este discurso, mais americanos perderão suas coberturas de saúde", disse Obama. "Milhões perderão seus planos de saúde neste ano. Nosso déficit crescerá. Os prêmios pagos aos seguros subirão. Os pagamentos subirão. Pacientes terão negados os cuidados que precisam". "Eu não abandonarei esses americanos. E também não deveriam abandoná-los as pessoas nesta sala", disse Obama, bastante aplaudido.

 

"A reforma no sistema de saúde reduzirá o nosso déficit. No começo desta década tínhamos superávit de US$ 200 bilhões, hoje temos um déficit maior que US$ 1 trilhão", disse Obama. As informações são da Dow Jones.

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