Em discurso, Yellen não se compromete com prazo para alta do juro

Presidente do Federal Reserve reafirmou que o mercado de trabalho nos EUA está melhorando, mas não deu sinais claros de como isso impactará a política monetária

Agência Estado

22 de agosto de 2014 | 11h19

Em linha com a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, divulgada nesta quarta-feira, a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, afirmou nesta sexta-feira, 22, que o mercado de trabalho dos EUA está melhorando, mas preferiu não se comprometer em relação a como esse progresso afetará a política monetária. Seu discurso foi feito durante o simpósio anual de política econômica em Jackson Hole, no Estado norte-americano de Wyoming.

Os indicadores do mercado de trabalho "têm melhorado com muita mais rapidez do que o previsto", reconheceu Yellen. Seu discurso, porém, não deixou claro quando ela estará pronta para agir, em parte porque continua buscando respostas para questões do mercado de trabalho, setor que foi fortemente prejudicado pela crise financeira de 2008.

No pronunciamento de hoje, Yellen manteve a linha que seguiu em depoimento feito ao Congresso em julho. Se o mercado de trabalho continuar melhorando em ritmo mais forte que o esperado ou a inflação acelerar rápido para a meta do Fed, que é de uma taxa de 2%, o banco central norte-americano poderá elevar as taxas de juros antes do esperado. Mas se o progresso ficar estagnado, os juros continuarão baixos.

"A economia teve um progresso considerável ao se recuperar da maior e mais sustentada perda de emprego nos Estados Unidos desde a Grande Depressão", afirmou Yellen. "Esses desdobramentos são encorajadores, mas é notável o alcance do dano, levando-se em conta que, cinco anos após o fim da recessão, o mercado de trabalho ainda não tenha se recuperado por completo".

Os comentários de Yellen vêm num momento em que o Fed debate sobre quando começar a elevar as taxas de juros de curto prazo, que estão próximas de zero desde dezembro de 2008. Muitos dirigentes do Fed não esperam que aumento de juros venha antes de meados de 2015, mas a queda na taxa de desemprego e outros indicadores que mostram avanços no mercado de trabalho levaram alguns deles a pressionar por um aperto monetário antecipado.

"Não há receita simples para a política apropriada nesse contexto", disse Yellen. "A política monetária deve definitivamente ser conduzida de uma forma pragmática, que se baseie não em um único indicador ou modelo, mas que reflita a avaliação atual de uma ampla gama de informações no contexto de nossa compreensão crescente de nossa economia".

Medir o grau de ociosidade na economia é particularmente difícil no momento, argumentou Yellen, devido a mudanças na participação do mercado de trabalho, nos empregos em meio período, na demografia do força de trabalho, no crescimento dos salários e em medidas mais amplas de dinamismo do mercado de trabalho. "(Pesquisas) sugerem que o comportamento desses (fatores) e de outras variáveis do mercado de trabalho mudou desde a Grande Recessão", disse. Fonte: Dow Jones Newswires.

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