Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Em dois anos, Parente conquistou mercado financeiro com medidas para sanear a Petrobrás

Sob sua gestão, a Petrobrás enxugou em mais de 15 mil pessoas o corpo de funcionários, arrecadou US$ 17 bilhões com a venda de ativos e costurou acordo de US$ 2,95 bilhões para encerrar a ação coletiva nos EUA

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2018 | 13h19

Nos dois anos em que esteve à frente da Petrobrás, Pedro Parente bancou medidas impopulares para sanear as contas da petroleira. Além de implementar uma nova fórmula para reajuste dinâmico dos preços dos combustíveis, posicionou-se contra a política de conteúdo local, desagradando a indústria nacional, e levou adiante um ambicioso plano de desinvestimentos, que resultou em inúmeras disputas judiciais e precisou ser revisado por determinação do Tribunal de Contas da União.

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Parente teve o nome aprovado pelo conselheiro de administração da petroleira em 30 de maio de 2016, assumindo o cargo de presidente da companhia em seguida, em substituição a Aldemir Bendine. Na época, um dos maiores temores do mercado era a forte concentração de vencimentos da dívida da companhia em um prazo de três anos, em um momento em que o caixa estava fragilizado pela política de controle de preços adotada no governo Dilma Rousseff e em um momento em que sofria com a queda do preço do petróleo.

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Sob sua gestão, a Petrobrás enxugou em mais de 15 mil pessoas o corpo de funcionários, através de duas rodadas do Plano de Demissão Voluntária. Arrecadou mais de US$ 17 bilhões com a venda de ativos, com destaque para as fatias do Campo de Roncador e Carcará e de uma parcela da BR Distribuidora.

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O executivo ainda costurou um acordo de US$ 2,95 bilhões para encerrar a ação coletiva movida por investidores nos Estados Unidos. A proposta figurou entre as dez maiores já fechadas pela Justiça norte-americana em ações semelhantes nas últimas décadas, conforme apurou o Broadcast à época.

Elogiada por especialistas e economistas, a repercussão positiva da administração de Parente no mercado financeiro fez o executivo ter seu nome cogitado para a liderança do Ministério da Fazenda, no lugar de Henrique Meirelles.

Convidado a assumir a presidência do conselho de administração do conglomerado alimentício BRF, Parente disse que não via conflito ético, mas ainda refletia sobre o convite. Em meio ao caos provocado pela crise de caminhoneiros, que derrubou as ações da Petrobrás, as especulações sobre uma eventual saída de Parente rumo à presidência da BRF fizeram as ações do grupo alimentício registrar forte alta. A BRF é uma das maiores companhias de alimentos do mundo, dona das marcas Sadia e Perdigão.

Caminhoneiros e petroleiros exigiam, entre outras reivindicações, a demissão de Parente da Petrobrás. O executivo esteve por diversas vezes em Brasília nas últimas semanas, reunido com integrantes do governo e o presidente Michel Temer.

O descontentamento de funcionários da estatal com a gestão de Parente não é recente. Há cerca de um ano, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa parte dos empregados da Petrobrás, entrou com representação na Procuradoria da República no Rio de Janeiro (PRRJ) pedindo o afastamento do presidente da estatal. Entre os argumentos dos sindicalistas, o de que a Petrobrás teria abandonado o papel de indutora de desenvolvimento nacional e agiria contra os interesses nacionais em nome da redução do endividamento.

 

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