REUTERS/Amanda Perobelli
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Em entrevista a revista, secretário revela frustração com decisões de Bolsonaro

Salim Mattar contou que há resistências no governo para privatizar, em especial no Ministério da Ciência e Tecnologia

Equipe AE, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 16h58

O secretário de Desestatização, Salim Mattar, concedeu entrevista à revista Veja e disse ter ficado "frustrado" com a decisão do presidente Jair Bolsonaro de voltar atrás na intenção de privatizar a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) e a EPL (Empresa de Planejamento e Logística), responsável pelo trem-bala.

"Estou frustrado porque o presidente afirmou que acabaria com aquelas duas empresas, EPL e EBC, mas isso não aconteceu", disse à revista o secretário, em entrevista sobre os três meses do novo governo e do seu trabalho, publicada nesse fim de semana. No entanto, afirmou que não se dá por rendido e lembrou ter ainda mais três anos e nove meses de governo para convencer o presidente a realizar privatizações. "Não perdi a guerra", disse.

Mattar contou que há resistências no governo para privatizar, em especial no Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo ele, o ministro Marcos Pontes não quer privatizar nenhuma das estatais sob seu guarda-chuva. "Mas também é meu papel convencer os ministros. Pode ter certeza: a privatização vai começar lenta e gradual e depois vai pegar velocidade", afirmou.

O secretário disse que ainda não deixou claro ao presidente a sua decepção com os recuos em relação à EBC e à EPL nem a sua dificuldade para quebrar a resistência de ministros. Justificou o silêncio afirmando que, em razão da reforma da Previdência, não é o momento de contrariar grupos de interesse.

"Vamos tratar do assunto com maior intensidade depois da reforma da Previdência. Já viu um avião decolando? Ele gasta entre 20 a 25 minutos para chegar a 900 quilômetros por hora. Ainda estamos taxiando", disse.

Em resposta à última pergunta da entrevista, o secretário avalia os primeiros três meses de Bolsonaro e afirma que o momento é de aprendizado. "Esse estresse que estamos vendo em relação ao Congresso é passageiro. O ex-governador Magalhães Pinto (mineiro, morto em 1996) dizia que a política é igual a nuvem: hoje está de um jeito, amanhã de outro", diz. E conclui: "O governo está indo bem".

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