Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Covid-19

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Em fevereiro, setor de serviços registrou queda de 1%, diz IBGE

Mesmo sem efeitos da covid-19, o resultado de fevereiro surpreendeu negativamente o mercado

Vinicius Neder, Cícero Cotrim e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2020 | 14h37

RIO e SÃO PAULO - A queda de 1,0% no volume de serviços prestados em fevereiro ante janeiro, revelada nesta quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, antes mesmo de qualquer impacto relacionado à pandemia do novo coronavírus, já se observava uma perda de ritmo no setor. A avaliação é do gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, Rodrigo Lobo.

O pesquisador destacou que a queda de fevereiro foi o terceiro resultado negativo, na comparação com meses imediatamente anteriores, num período de quatro meses. Isso após a atividade de serviços ter atingido o ponto máximo de 2019 em outubro, após um movimento de recuperação no segundo semestre do ano passado. Em fevereiro, o nível da atividade ficou 1,4% abaixo do registrado em outubro.

“Nesses últimos quatro meses, ainda sem contágio da pandemia, já se observava dentro do setor de serviços, intrinsecamente, uma perda de ritmo”, afirmou Lobo.

Mesmo sem efeitos da covid-19, o resultado de fevereiro surpreendeu negativamente o mercado. A pior projeção de analistas captada por pesquisa do Projeções Broadcast apontava para um recuo de 0,7%.

“Foi uma surpresa negativa, com destaque para o setor de transportes, que tinha crescido bem em janeiro (2,7%) e, agora, teve um freio nesse ritmo de alta, para 0,4%”, afirmou o economista Yan Cattani, da Pezco.

O movimento de perda de fôlego foi puxado pelos serviços profissionais, administrativos e complementares, que caiu 0,9% em fevereiro ante janeiro. Com a queda de fevereiro, o segmento acumulou uma queda de 3,0% desde dezembro do ano passado.

Segundo Lobo, do IBGE, o desempenho desse segmento costuma acompanhar o ciclo da economia como um todo, conforme a demanda de empresas por esses serviços de apoio, como limpeza e segurança. Essa atividade deverá ser atingida em cheio pela crise causada pela pandemia, assim como a atividade de serviços prestados a famílias, onde entram bares e restaurantes e hotelaria.

Para Cattani, da Pezco, o desempenho de fevereiro era condizente com um cenário de recuperação gradual da economia, mas, agora, com a pandemia, a tendência é ver números “muito mais negativos” nas próximas edições da PMS, puxados tanto pela retração nos serviços prestados às famílias quanto pelos serviços ligados a outros setores da atividade.

“Evidentemente, fica fácil de analisar que vamos ter uma série de distratos, de contratos não renovados, que vão derrubar, por exemplo, os transportes”, resume o economista, estimando que, já em março, o setor de serviços possa cair entre 10% e 15%, na comparação com igual mês de 2019.

Na visão do economista João Fernandes, da Quantitas Asset, o cenário econômico para 2020 “recomeçou” com a pandemia. “O choque agora é análogo a um meteoro. Não há nada a ser feito. Mas, quando o efeito do choque passa, tem a mesma economia de volta. É importante que a estrutura não se mova”, afirmou.

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