Valentin Flauraud/Reuters
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Coluna

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Em Genebra, ativistas protestam contra a OMC

Manifestantes querem mudanças nas políticas da Organização Mundial de Comércio

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2009 | 13h01

Nas ruas de Genebra, ativistas retomaram os protestos violentos que marcaram o movimento anti-globalização do início da década, quebrando vidraças de bancos, lojas de luxo e incendiando carros pelas ruas da cidade Suíca. Fortemente armada, a polícia utilizou gás lacrimogêneo em tentativas para evitar que os manifestantes chegassem até a sede da OMC.

 

A violência foi registrada em diversas partes da cidade e as fronteiras com a França passaram a ser controladas. Até o início da noite de sexta-feira, 27, a polícia não havia informado se havia detidos. Poucos metros da violência, o Brasil sediava uma reunião entre os países emergentes para debater uma posição comum nas negociacões. Diplomatas, porém, admitiam que pouco ocorria dentro das salas de reunião, salvo o compromisso de todos de culpar os americanos pela falta de progresso nas negociacões da OMC.

 

Mas, fora das salas de reunião, o protesto gerou as mesmas imagens que, há dez anos, deram a volta ao mundo dos manifestantes impedindo que negociadores iniciassem sua conferência em Seattle para lançar as negociações comerciais. Em 1999, a OMC sequer conseguiu organizar sua conferência diante do caos nas ruas.

 

Poucos eram os manifestantes que sabiam que a Rodada Doha está paralisada há anos e que a conferencia de sábado, 28, não tomará qualquer decisão. Ontem, a famosa cadeia de lojas de Starbucks, americana, foi apedrejada, enquanto os clientes tentavam se esconder dos vidros que voavam a todas as direcões. Agora, mais debilitados, os organizadores da manifestação garantiram que a violência partiu apenas de um pequeno grupo, conhecido como Black Bloc. Mas, mesmo assim, a polícia local optou por dar por encerrada a manifestação e declarar a passeata como ilegal.

 

Os cerca de 4 mil pessoas saíram do centro de Genebra em direção ao edifício da OMC. "O que estamos dizendo é que o modelo que defende a OMC é exatamente o que nos levou à crise mundial. Não podemos aceitar. Não aceitamos em 1999 e não aceitaremos agora", disse Lori Wallach, uma das organizadoras do protesto.

 

Com seus tradicionais cartazes, bandeiras e gritos de guerra, manifestantes coreanos também se juntaram à manifestação. Três deles, porém, foram detidos já no aeroporto e deportados. O governo suíço explicou que representavam uma ameaça à ordem pública.

 

Mas, desta vez, o alvo dos ataques não eram apenas os países ricos. Agricultores dos países em desenvolvimento deixaram claro: as exportações agrícolas brasileiras estão levando produtores de outros países ao suicídio.

 

"Os produtores de açúcar na Índia não podem competir contra a importação cada vez maior do Brasil e começam a cometer suicídios", afirmou Afsar Jafri, ativista da entidade Focus on the Global South, da Índia. "Aqui não é mais uma questão Norte contra Sul. Hoje, a questão é bem mais complexa", disse.

 

"O mundo não pode aceitar a existência da OMC. Todas as crises que enfrentamos é resultado da entidade e de suas políticas", afirmou a líder dos agricultores coreanos, Yoon Sum.

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