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Em greve, usina entra em operação

Hidrelétrica de Santo Antônio dá início à geração comercial e operários votam na segunda-feira proposta de retorno ao trabalho

NILTON SALINA, ESPECIAL PARA O ESTADO, PORTO VELHO, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2012 | 03h06

A usina de Santo Antônio, em construção no Rio Madeira, iniciou ontem a geração comercial, nove meses antes do previsto no contrato de concessão. Duas turbinas capazes de produzir 71,6 MW cada uma, o suficiente para atender 350 mil residências, já estavam funcionando em regime experimental há algumas semanas, mas a partir de ontem passaram a alimentar o Sistema Interligado Nacional.

Parte dos 15 mil trabalhadores da usina que estão em greve há 11 dias pode voltar ao trabalho na próxima semana. Uma proposta de acordo feita ontem pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Rondônia e Acre, já aceita pelo consórcio responsável pelas obras, estabelece 7% de reajuste para quem ganha até R$ 1.500 e 5% para quem recebe acima deste valor, além de pagamento dos dias parados. A proposta será votada na segunda-feira em assembleia dos trabalhadores.

A greve começou dia 9, entre funcionários da empresa Enesa, responsável pela instalação das turbinas de Jirau. Em seguida, o movimento teve adesão de trabalhadores da Camargo Corrêa, contratada pela Energia Sustentável do Brasil. O Sticcero pede reajuste salarial de 30%.

De acordo com nota divulgada pelo, nas alegações pedindo o fim da greve, o Consórcio Construtor Santo Antônio relatou que o movimento poderia provocar graves consequências para a cidade de Porto Velho, para comunidades ribeirinhas e para trabalhadores alojados no canteiro de obras, por causa dos riscos de sabotagem à geração de energia elétrica. Essas foram algumas das razões que levaram a Justiça a determinar o fim da greve.

Inicialmente, a decisão judicial não foi cumprida pelos trabalhadores, e por isso o TRT convocou ontem uma reunião para tentar um acordo entre os consórcios responsáveis pelas obras das usinas de Santo Antonio e Jirau e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero).

Em decisão liminar, o juiz federal do Trabalho Francisco Montenegro Neto proibiu o Sticcero de impedir o acesso de funcionários ao canteiro de obras da Usina Jirau e de fazer ameaças a quem deseja trabalhar. Ele fixou multa diária de R$ 100 mil pelo descumprimento e prisão para o presidente do sindicato ou qualquer um que impeça o cumprimento da decisão.

Segundo o TRT, representantes do consórcio responsável pela usina Jirau alegaram estar impedidos de exercer as atividades porque o Sticcero está impedindo a entrada e a saída de operários. Anteontem, a Força Nacional de Segurança e a Polícia Militar de Rondônia tiveram de intervir para acabar com os piquetes.

Tumulto. No dia 20, funcionários da usina de Santo Antônio também pararam em solidariedade aos trabalhadores de Jirau. Eles também reivindicam reajuste de 30%. Na quinta-feira, um grupo ligado ao Sticcero depredou ônibus de empresas terceirizadas e iniciou a destruição de alojamentos e do refeitório. A confusão foi contida pela Força Nacional de Segurança e pela PM de Rondônia.

O Consórcio Construtor Santo Antônio informou que cerca de 97% dos trabalhadores retornaram ao trabalho quinta-feira. Diante de um princípio de tumulto, o consórcio dispensou os trabalhadores.

Até o fim do ano a hidrelétrica deve colocar 12 turbinas em geração comercial. Em janeiro de 2016, a energia gerada será suficiente para atender a 40 milhões de consumidores.

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