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Em Itabira, berço da Vale, protesto contra demissões

Empresa afirma que tenta manter empregos

Eduardo Kattah, ITABIRA (MG), O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

Berço da Vale, a cidade de Itabira (MG) foi palco ontem de um ato público contra as demissões promovidas pela mineradora e empresas prestadoras de serviço no chamado Quadrilátero Ferrífero mineiro, em decorrência da crise internacional. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 1,7 mil pessoas participaram.À tarde, os manifestantes se concentraram na região central da cidade e seguiram em marcha para o ato final, na Praça da Rodoviária. Boa parte do comércio local aderiu à manifestação, fechando as portas por volta das 16h. Comandado pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (Metabase) de Itabira e Região, o ato contou com a participação de representantes de lideranças sindicais de Minas e do País, principalmente de sindicatos dos metalúrgicos. Na pauta de reivindicações do Metabase estavam a redução da jornada de trabalho para 36 horas, sem redução de salários e a "manutenção dos direitos conquistados pelos trabalhadores em décadas de luta". Durante os protestos, não faltaram críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado pelos sindicalistas de omisso na luta contra o processo de demissão.O presidente do Metabase, Paulo Soares de Souza, disse que o sindicato não aceita nenhuma proposta de flexibilização de direitos trabalhistas. "A Vale não pode agora dar as costas para os trabalhadores e para as cidades mineradoras." A mineradora já confirmou a demissão de 1,3 mil empregados diretos em todo mundo, sendo cerca de 20% em Minas Gerais. De acordo com a empresa, o Estado responde por 80% dos 5.050 funcionários no Brasil e no exterior que serão colocados em férias coletivas até fevereiro. A preocupação imediata do Metabase, porém, é com o corte dos empregos terceirizados. Pela contabilidade do sindicato, 1.560 funcionários de empreiteiras que prestam serviços para a Vale em Itabira já foram dispensados após a suspensão dos contratos. A Vale informou que não acredita que "o extremismo e o radicalismo são a melhor forma de negociar". A assessoria da Vale confirmou que por causa de uma adequação interna decidiu adiar as férias coletivas de 450 empregados da mina de Fábrica Nova, localizada em Mariana, na região central de Minas Gerais. Em dezembro, a companhia havia anunciado que em função da crise concederia férias coletivas para 5,5 mil funcionários em todo o mundo, sendo que 80% destes empregados nas unidades da mineradora em Minas Gerais.

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