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''Em Itaipu, o Paraguai só entrou com a água''

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, aproveitou a cerimônia de posse do novo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, para mandar um recado ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo. O ministro disse que o Brasil já paga caro pela energia da Hidrelétrica de Itaipu comprada do vizinho. Lugo renovou sua cobrança por aumento das tarifas em entrevista publicada ontem pelo jornal espanhol El Mundo. Lugo teria dado um ano de prazo ao governo brasileiro para chegar a um entendimento. Sem mencionar a reportagem, Lobão, em seu discurso, citou o presidente paraguaio, dizendo que ele tem afirmado que o Brasil paga apenas US$ 2,80 por megawatt de energia produzida por Itaipu e que o governo brasileiro teve de dizer a Lugo que, na verdade, paga US$ 45, valor mais alto que o custo da energia a ser produzida pelas hidrelétricas do Rio Madeira.A diferença, explicou, corresponde à dívida assumida pelo Paraguai com o Brasil na época da construção da usina. Embora cada país tenha 50% do empreendimento, a obra foi toda bancada pelo Brasil."O Paraguai não entrou com nenhum centavo. Apenas com água", afirmou. "Não estamos espoliando ninguém." Também durante a posse, Lobão reclamou das dificuldades de se conseguir licença ambiental para a construção de hidrelétricas no Brasil. "É mais fácil subir em pau de sebo do que conseguir licença para hidrelétrica", ironizou. Segundo ele, o Brasil ocupa apenas 23% da sua capacidade de aproveitamento hidráulico. "Temos ainda 77% de aproveitamento e não nos deixam fazer." O ministro informou que o Brasil vai precisar, em 10 anos, de mais 54 mil MW de energia e 36 mil quilômetros de linha de transmissão, o que exige um aumento de 40% na quantidade atual de linhas.O novo diretor-geral da Aneel disse, após tomar posse, que o setor elétrico brasileiro, da forma como está estruturado, "é um grande remédio" para que o Brasil enfrente bem a crise internacional. "Vendo o volume de recursos em obras e investimentos contratados até agora, é possível termos a certeza de que, ao contrário de ser atingido pela crise, o setor elétrico será uma forma importante de o Brasil sair da crise."

Gerusa Marques e Isabel Sobral, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

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