Em jantar com exportadores, Lula defende carga tributária

'É bobagem alguém ter medo de um Estado forte', afirma presidente, que chamou atenção para a China

Débora Thomé, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2009 | 00h35

Em pronunciamento no jantar da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos) nesta segunda-feira, 21, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, apesar dos pedidos dos empresários, não imagina um País com carga tributária fraca. "Não existe um País assim. Ou ele cobra imposto na produção ou imposto na agenda. É bobagem alguém ter medo de um Estado forte. O Estado não pode ser intruso, mas tem de ser indutor", disse. Segundo o presidente, a crise deixou isso claro. No entanto, Lula afirmou que se preocupa com a questão do câmbio. "Criamos o IOF para isso. Mas se o câmbio é livre, ele vai flutuar."

 

Ainda em seu discurso, o presidente chamou atenção para a competição com a China. Ele afirmou ter pedido ao chefe do BNDES Luciano Coutinho que fizesse um estudo para entender por que produtos chineses chegam aqui pela metade do preço dos brasileiros. "Eu vivo falando com o Roger (Agnelli, presidente da Vale) que eu quero que os navios da Vale sejam feitos no Brasil. Mas o preço tem de ser próximo, não pode ser o dobro."

 

O presidente disse também que o governo está trabalhando para diversificar produtos e destinos das exportações. Estavam no evento o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes.

 

NÚMEROS

 

Miguel Jorge disse esperar que as exportações fechem o ano na casa dos US$ 156 bilhões. Isso menos por causa do câmbio e mais por causa da crise. Para os próximos anos, o ministro acredita que se voltará a patamares anteriores à crise. Em 2008, por exemplo, as exportações foram de US$ 198 bilhões. "O que estamos fazendo é abrir mercados não tradicionais", destacou, citando como exemplo o aumento das exportações com a África e Oriente Médio.

 

O ministro também destacou os investimentos diretos estrangeiros. Em 2009, por causa da crise, eles vão fechar em US$ 25 bilhões, muito abaixo dos US$ 45 bilhões de 2008. Mas, segundo Miguel Jorge, em 2010 é provável que volte para o montante do ano passado.

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