Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar sobe 1,8% nesta sexta, mas termina abril em queda de 3,5%; Bolsa recua 1%

Número representa a maior perda mensal da moeda desde novembro; aprovação do Orçamento e exterior favorável ajudaram moeda a fechar abril no azul

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2021 | 15h35

Em um pregão volátil, típico de fim de mês, o dólar fechou em alta de 1,79% nesta sexta-feira, 30, cotado a  R$ 5,4320 . No entanto, em abril, a moeda teve queda de 3,5%, a maior perda mensal desde novembro do ano passado. A Bolsa brasileira (B3) também foi afetada pela instabilidade e, em sintonia com a queda do mercado exterior, teve baixa de  0,98%, aos 118.893,84 pontos.

Nas últimas cinco semanas, a divisa americana acumulou desvalorização em todas elas, ajudada pela aprovação do Orçamento de 2021 mantendo o teto de gastos, fluxo externo positivo e perspectiva de alta de juros pelo Banco Central, além da sinalização do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que vai seguir com os estímulos monetários.

Nesse ambiente, o real teve o melhor desempenho que seus pares. O dólar caiu 2,9% em abril na África do Sul, recuou 0,90% no México e 0,64% na Rússia. Nesta sexta, o dólar para julho fechou com alta de 1,95%, a R$ 5,4510.

chefe de câmbio da Acqua Investimentos, Alexandre Netto, destaca que o desempenho do real melhor que os pares foi ajudado inicialmente pela sanção do Orçamento por Jair Bolsonaro com alguns vetos. Isso trouxe algum conforto no lado fiscal, disse ele. No cenário externo, a visão de que a liquidez vai continuar alta por mais algum tempo também foi positivo para as moedas de emergentes.

Pela frente, Netto vê dificuldade de o dólar cair muito mais ante o real. No lado doméstico, há fatores que podem provocar ruídos, como a CPI da covid, que na semana que vem vai ouvir ex-ministros da Saúde. "A CPI tem potencial para gerar ruído e acaba distraindo um pouco da agenda de reformas", disse o executivo da Acqua. Por isso, o R$ 5,32, que o dólar chegou na mínima de ontem, pode acabar sendo um piso por enquanto. "Os principais fatores estão indicando o real um pouco mais depreciado."

No cenário externo, o evento mais aguardado da semana que vem é a divulgação do relatório mensal de emprego (payroll) dos Estados Unidos, com dados de abril. Os economistas do banco Wells Fargo esperam forte criação de vagas, de 1,2 milhão de postos, ajudada pela retirada de parte das medidas de restrição com o avanço rápido da vacinação nos EUA. A taxa de desemprego deve cair para 5,8%. Se confirmados, estes números podem contribuir para valorizar o dólar, na medida em que devem pressionar ainda mais as taxas dos juros longos americanos, que esta semana voltaram a subir, batendo em 1,65% na máxima.

O dólar já mostrou recuperação no mercado internacional hoje, mas acabou fechando abril com perdas. Foi o primeiro mês do ano com quedas e a maior desde meados de 2020, destaca o analista de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo. O índice DXY, que mede o dólar ante divisas fortes, caiu 2% este mês, ajudado pela redução das taxas de retorno dos juros americanos para abaixo de 1,60% em parte do mês.

Bolsa

O Ibovespa chegou ao fim da sessão, da semana e do mês abaixo dos 119 mil pontos, um nível acima do qual havia se sustentado nos fechamentos desde 13 de abril. Hoje, acentuou perdas perto do encerramento da sessão, com o dia negativo em Nova York favorecendo realização de lucros em fim de período, o que limitou os ganhos do mês a 1,94%. Em boa parte do dia, o índice da B3 havia se mantido em faixa estreita, de cerca de mil pontos entre a mínima e a máxima. Na semana, a perda é de 1,36%, no ano, cede 0,10%.

Apesar da firmeza vista acima dos 119 mil pontos - nível que vinha sendo preservado desde 14 de abril no intradia, data em que retomou o patamar de 120 mil no fechamento -, o índice não tem mostrado fôlego para seguir em direção à máxima histórica dos 125 mil pontos, do fechamento de 8 de janeiro. "Os 120 mil pontos têm se mostrado um ponto psicológico de resistência. Vejo hoje a Bolsa tendendo para baixo, podendo chegar a 105, 106 mil pontos no fechamento do ano, com a retomada dos juros", diz Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.

No exterior, apesar dos indicadores favoráveis, os principais índices cederam, incluindo a Bolsa de Nova York - Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com quedas de 0,54%, 0,72% e 0,85% cada. Nesta sexta-feira, Vale cedeu 2,42%, equanto Gerdau PN perdeu 3,40%. Na ponta positiva do índice, Pão de Açúcar subiu 4,30%, à frente de Raia Drogasil, com 3,99%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.