Em Londres, aéreas pagam R$ 1,6 mil por dia se há atraso de vôos

Vôo superlotado é quase sempre sinônimo de chateação, mas não para um grupo de brasileiros que recebeu R$ 1,6 mil por dia por não ter conseguido embarcar em vôos da British Airways de Londres para São Paulo que estavam com excesso de passageiros. "Eu achei ótimo", disse a aposentada Irene Sena, uma das afetadas. "No primeiro dia foi horrível, mas, depois, quando a gente percebeu as vantagens, foi bom", completou.Irene tinha vôo marcado para o último sábado com o marido, as duas filhas e o namorado de uma das filhas, mas não conseguiu embarcar por causa do excesso de passageiros previstos para o mesmo vôo.Como Irene, dezenas de outros brasileiros não puderam embarcar na data prevista. Além do dinheiro, a British Airways pagou a cada passageiro hospedagem em hotéis cinco estrelas que ficam próximos ao aeroporto internacional de Heathrow e alimentação.O problema voltou a se repetir no domingo e todos os dias até esta quinta-feira. Por isso, a empresa passou a distribuir um folheto aos passageiros que estavam na fila de check in explicando as vantagens para quem se candidatasse a ficar para pegar o vôo no dia seguinte.Irene conta que a empresa garantia a volta no domingo, mas como as vantagens eram boas, a família decidiu se candidatar para ficar também nos próximos dias. Só o marido viajou na segunda-feira.Varig O engenheiro civil Murilo Zortea Júnior, de 26 anos, e o irmão Tiago Zortea, de 20, deveriam ter embarcado na terça-feira, mas também não se importaram de ficar em Londres por mais alguns dias."Como a gente tá em férias não tem problema", disse Murilo. "E o dinheiro também não é ruim", completou. O vôo diário da British Airways de Londres a São Paulo sai às 21h45 (17h45 horário de Brasília), mas nesta quinta-feira Murilo e Tiago chegaram ao aeroporto de Heathrow às 16h30 para colocar os nomes na lista de voluntários para ficar mais um dia.O estudante Gabriel Lunardi, de 21 anos, que deveria ter embarcado na terça-feira, também estava disposto a fazer o mesmo."Quando eu vi o folheto, achei que valia a pena. Eu achei que seria uma burocracia para conseguir as coisas, mas fiquei de cara. A empresa tratou todo mundo muito bem", afirmou.Segundo um comunicado emitido pela British Airways, São Paulo é um destino popular e não é raro ter excesso de passageiros nesta época do ano.Mas, de acordo com a empresa, o fato de que alguns vôos da Varig foram suspensos nesta semana contribuíram para que o número de reservas aumentasse. A assessoria de imprensa da Varig no Rio informou que o vôo de Londres a São Paulo foi suspenso apenas "por dois ou três dias", mas que a situação deverá ser normalizada a partir desta sexta-feira, já que havia um vôo programado para sair do Brasil para Londres nesta quinta.Segundo a British Airways, a empresa raramente pede que as pessoas se candidatam para adiar a partida, mas que isso às vezes é necessário. Para evitar novos problemas nesta quinta-feira, a British Airways colocou um avião maior para fazer o trajeto, aumentando em 52 o número de lugares disponíveis.A empresa chegou a preparar uma lista com o nome de 17 voluntários, caso a superlotação voltasse a ocorrer. Irene e as filhas, Murilo, Tiago e Gabriel estavam com o nome lá, mas dessa vez tiveram de embarcar.

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