Em maio, queda real na oferta de crédito

Entre abril e maio, houve um crescimento de apenas 0,7% dos saldos dos empréstimos (de R$ 3,059 trilhões para R$ 3,081 trilhões) e uma queda de 1% nas concessões de crédito, segundo o relatório de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central, divulgado na terça-feira. Os dados confirmam a queda real das operações de empréstimos, tanto no mês passado como no ano.

O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2015 | 02h04

O recuo foi amplo no segmento de empréstimos com recursos livres, com exceções como o cheque especial e o cartão de crédito, mais utilizados neste ano. Os empréstimos direcionados, concedidos a taxas inferiores às de mercado, aumentaram. Mas o crédito imobiliário destinado às pessoas físicas, que havia crescido 24,5% em 12 meses, subiu apenas 1% no mês.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, cortou de 11% para 9% a estimativa de crescimento dos saldos de crédito em 2015. Economistas da área privada, como Flavio Calife, do SCPC Brasil, acreditam em aumento ainda menor, próximo de 8%. A consultoria Tendências prevê queda real do estoque de empréstimos de 0,8%. Como proporção do PIB, o saldo de crédito diminuiu 0,3 ponto porcentual neste ano, de 54,7% para 54,4%.

O declínio do crédito se deve à combinação de vários fatores, como a elevação dos juros - que desestimula a tomada de empréstimos - e a insegurança das pessoas físicas quanto à preservação da renda e do emprego. As taxas médias anuais aumentaram de 18,5% em abril para 18,9% em maio, para as empresas; e de 34% para 34,8%, para pessoas físicas. Nas operações com recursos livres, as pessoas físicas pagaram 57,3% ao ano, 8,5 pontos porcentuais acima do que pagavam em maio de 2014 e 1,2 ponto mais do que em abril. Houve alta (menor) de juros no crédito direcionado.

Em maio, os bancos públicos elevaram os saldos de crédito em 1,1%, ante 0,5% nos bancos estrangeiros e zero nos bancos privados nacionais. A participação dos bancos públicos no crédito beirou os 55%, ante 30,5% dos privados nacionais e 14,5% dos estrangeiros. Nos últimos 12 meses, também cresceu a inadimplência nos bancos públicos (+0,3 ponto porcentual), enquanto os atrasos se reduziram nos estrangeiros e estabilizaram nos privados nacionais.

O aperto creditício reforça os riscos de um agravamento da recessão, sobretudo num momento em que a força da inflação impede a redução do juro básico.

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