Gabriela Biló/Estadão
O banco americano JPMorgan Chase anunciou compra de uma participação de 40% do banco digital C6 Bank.  Gabriela Biló/Estadão

Em novo capítulo na guerra dos bancos digitais, JP Morgan compra 40% do C6 Bank por R$ 10 bi

Negócio foi anunciado nesta segunda-feira, 28, e vem para acelerar crescimento do banco fundado em 2019 por ex-sócios do BTG Pactual; aporte deve adiar projetos de IPO do C6

Altamiro Silva Júnior, Fernanda Guimarães e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2021 | 13h38

O banco americano JP Morgan Chase anunciou nesta segunda-feira, 28, a compra de uma participação de 40% do banco digital C6 Bank, fundado em 2019 por ex-sócios do BTG Pactual. Trata-se de mais um capítulo na “guerra” pela liderança dos bancos digitais no Brasil, em um campo cada vez mais disputado. O investimento deve ser usado para acelerar o crescimento do C6, que hoje tem 7 milhões de clientes. O valor da compra foi de aproximadamente R$ 10 bilhões, apurou o Estadão.

Uma das principais consequências da compra do C6 é o investimento do JP Morgan em uma operação local de varejo - o que seria uma intenção antiga do banco americano. Não foi o único investimento na área, já que recentemente a instituição também comprou uma operação do gênero na Inglaterra.

De acordo com fontes, a operação com o JP substitui, pelo menos de forma momentânea, a intenção do C6 em partir para um IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). A negociação entre os bancos não teve caráter "relâmpago". Pelo contrário: as conversas começaram há cerca de cinco meses, segundo apurou o Estadão.

Há duas semanas, o Nubank, principal referência nessa área, recebeu um aporte de US$ 1,15 bilhão que incluiu a participação do megainvestidor Warren Buffet. Agora, é a vez de um gigante americano entrar no C6, que vinha correndo por fora nesse mercado. Os termos financeiros da transação não foram divulgados. 

O C6 vinha em forte crescimento, mas operava no vermelho. No ano passado, de acordo com a própria instituição, seu prejuízo líquido foi de R$ 607 milhões. O patrimônio líquido consolidado do banco era de R$ 723 milhões no fim do ano passado. A empresa também vinha captando aportes para financiar seu crescimento: em dezembro de 2020, arrecadou R$ 1,3 bilhão de investidores privados de clientes do Credit Suisse. Na época, o valor de mercado do C6 era estimado em R$ 11 bilhões.

“Estamos felizes em fazer essa parceria com um dos bancos digitais que mais crescem no Brasil”, disse Sanoke Viswanathan, CEO de varejo internacional do JPMorgan Chase, em comunicado. “Admiramos a estratégia e a gestão do C6 Bank. Com uma plataforma impressionante de produtos e serviços, eles estão bem posicionados para manter a trajetória de crescimento e construir uma grande franquia.”

“A parceria com o JPMorgan Chase, o maior banco do Hemisfério Ocidental e uma das marcas de banco mais prestigiosas do mundo, é um divisor de águas”, diz Marcelo Kalim, CEO e cofundador do C6 Bank, no mesmo comunicado. “Essa parceria estratégica nos permite ganhar ainda mais escala no nosso negócio e continuar oferecendo aos consumidores brasileiros os melhores produtos financeiros.”

Além dos 40%?

O sócio da Spiralem, consultoria de inovação para o mercado financeiro, Bruno Diniz, afirma que aquisição por parte do JP é “estratégica e alinhada” com outras movimentos vistos em outros mercados, como no Reino Unido, onde a instituição norte-americana anunciou investimento no lançamento de um banco digital.

“O mercado brasileiro é de alto crescimento, e o C6 já é um banco com estrutura de instituição financeira, conseguindo já agregar diversas soluções, incluindo pessoas físicas e jurídica. Me parece estratégico. Não estranharia que o JP avance esse percentual (para além dos 40% no C6)”, frisa o especialista.

O JP Morgan atuou como assessor financeiro exclusivo do JP Morgan Chase e o Credit Suisse atuou como assessor financeiro do C6 Bank. 

Tudo o que sabemos sobre:
C6 Bankbanco digitalJP Morgan

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

JP Morgan usa C6 para ingressar no varejo bancário do Brasil

Gigante americano, que tem tradição como banco de investimentos no País, terá 40% do banco digital; novos recursos serão parcialmente usados para pagamentos a investidores de rodadas anteriores

Altamiro Silva Júnior e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2021 | 16h49

Com a compra de 40% do banco digital C6 Bank, fundado em 2019 por ex-sócios do BTG Pactual, o norte-americano JP Morgan ingressa no varejo bancário brasileiro. O investimento será usado para injetar dinheiro novo para o crescimento do C6 e também para pagamento de investidores em aportes anteriores. Em dezembro do ano passado, o banco digital foi avaliado em cerca de R$ 11 bilhões. O Estadão apurou que o valor pago pelos 40% do C6 seria de R$ 10 bilhões, o que avaliaria o negócio como um todo em R$ 25 bilhões. As partes, porém, não divulgaram o valor do aporte.

Com fôlego financeiro renovado, o C6 ganha musculatura para crescer em um mercado cada vez mais competitivo e sob o olhar atento dos grandes bancos, que também estão avançando em suas estratégias digitais. Já o investimento do JP Morgan para entrar no varejo bancário ocorre em um momento de grande ebulição desse mercado, com os grandes bancos sendo desafiados por fintechs e bancos digitais, caso do próprio C6.

O presidente do JP no Brasil, Daniel Darahem, afirma que a aquisição no País mostra o olhar da instituição financeira na transformação digital, que ocorre de forma acelerada no mercado brasileiro. Para esse movimento, o banco analisou nos países em que atua oportunidade de investimento orgânico e via parcerias. “Nós tomamos a decisão de não ir para o varejo bancário no modelo tradicional, mas o modelo digital muda esse cálculo estratégico”, comentou o executivo, em entrevista ao Estadão/Broadcast

As conversas com o C6 começaram no primeiro trimestre do ano, comenta. “Tomamos a decisão de provocá-los (o C6) para a conversa”, diz Darahem, que assumiu o comando do JP Morgan no Brasil no ano passado. Para ele, a plataforma brasileira do banco tradicional ia muito bem e se mostrava “sempre muito rentável”. Foi uma forma de o gigante americano chegar a um setor sem ter de começar do zero.

O investimento do JP no Brasil, segundo seu presidente, marca um novo capítulo na história do banco, que está presente há seis décadas no País. Conforme fontes, o JP teria a opção de adquirir até a totalidade das ações do C6, algo não confirmado pelas instituições financeiras.

Musculatura

O investimento do JP Morgan representa para o C6 mais caixa para seguir crescendo, colocando mais clientes na plataforma. Hoje são 7 milhões de contas abertas, sendo que no fim do ano passado eram 4 milhões. Ainda no vermelho, algo comum em bancos digitais em passo acelerado de crescimento, como o Nubank, o próximo passo deve ser a busca de rentabilidade, algo que as fintechs têm procurado ao colocar nas plataformas produtos como seguros e de investimento.

Para o sócio fundador do C6, Marcelo Kalim, a entrada do JP traz musculatura necessária para crescimento do ano e, por isso, coloca o plano de abertura de capital, inicialmente planejada para 2021, de volta na gaveta.

“No ano passado, depois que fizemos a captação, já sabíamos que precisaríamos de uma nova capitalização e o cenário mais provável naquele momento era uma abertura de capital”, afirma.  No futuro, caso necessário, o banco analisará novamente essa opção. Kalim, assim como os demais fundadores do C6, não venderam ações nessa rodada de investimentos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.