Em Marselha, o lixo se acumula nas ruas e o porto está bloqueado

Protestos se multiplicam na segunda maior cidade da França; greve dos portuários deixa navios à espera no Mediterrâneo

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

PARIS

Lixo nas ruas, desabastecimento em postos de combustíveis e porto bloqueado são o saldo de múltiplas greves que estão paralisando a segunda maior cidade da França, Marselha.

Segundo associações patronais, só a paralisação no maior porto comercial do país já teria causado uma perda avaliada em ? 600 milhões. E o cálculo não leva em conta as perdas em turismo causadas pela greve na coleta e pelo acúmulo de quatro toneladas de detritos.

A situação mais grave em Marselha é provocada pelos portuários. Cerca de 65 navios estão ancorados no Mar Mediterrâneo à espera de autorização para ancorar e carregar ou descarregar .

A mobilização é mais aguda entre os trabalhadores dos terminais petrolíferos do porto, que reproduzem no sul a greve nacional que provoca desabastecimento em 2,6 mil postos de combustíveis do país. Segundo balanço da instituição responsável pela administração do porto, a Grand Port Maritime de Marseille (GPMM), 28 navios petroleiros, cinco com cargas químicas e oito com gás estariam parados na altura de Fos-sur-Mer, na região marselhesa. Em Marselha, outros 18 petroleiros, dois de produtos químicos e dois de gás estão bloqueados.

Também o transporte marítimo de passageiros é prejudicado por graves de marinheiros de companhias SNCM e CMN, que realizam a rota entre a continente e a ilha da Córsega. Embora seja parte do movimento sindical nacional, a greve dos portuários, que já completa 22 dias, não tem relação direta com a reforma da previdência, mas com outra reforma (a portuária), proposta pelo Palácio do Eliseu.

A situação de caos no Mediterrâneo também começa a atingir Marselha futura Capital Europeia da Cultura de 2013. A exemplo a mobilização realizada em Nápoles, na Itália, em 2008, agora os funcionários dos serviços de limpeza urbana cruzaram os braços.

O resultado são toneladas de lixo nas ruas do balneário, um dos pontos turísticos mais visitados da França. A greve - que afeta o serviço na cidade em média a cada três anos - teve início na terça-feira passada, mas a mobilização começou a se intensificar no fim de semana.

Ontem, o sindicato lançou nota afirmando que "o espectro de um bloqueio total da cidade se desenha"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.