Em Mauá, trabalhadores formam filas em busca de oportunidades

Na cidade, dos principais setores da economia, apenas o de serviços acumula saldo positivo de janeiro a maio deste ano

O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h06

Na região central de Mauá, trabalhadores formam uma fila diária no Centro Público de Trabalho e Renda (CPTR). Eles estão em busca de novas oportunidades de trabalho, de cursos de qualificação ou resolvendo pendências para conseguir o dinheiro do seguro-desemprego.

No início da tarde de quarta-feira, o auxiliar de produção Jefferson Max Bueno deixava o local. Desempregado há oito meses, ele foi se inscrever para um curso de qualificação em informática. "Tem muita gente procurando para pouca vaga", diz.

Mauá tem sofrido um efeito em cadeia da redução das vagas. Até maio, a cidade teve um saldo negativo de vagas de 1.389 postos. Dos principais setores da economia, apenas o de serviços (333 postos) acumula saldo positivo nos cinco primeiros meses de 2012.

Rotatividade. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino da Silva - conhecido como Cícero Martinha -, houve um aumento no número de demissões, mas nada "em grande escala". "O que ocorre aqui é que a rotatividade é alta", afirma. "Não sei se é uma coisa tão alarmante. O número de demissões é alto, mas o de contratações também. Tem muita choradeira, mas quando você vai ver no fundo, não é do tamanho que eles (empresários) mostram", diz o sindicalista.

Martinha ressalta, porém, que há uma preocupação com o risco da desindustrialização. "Se você analisar nos últimos anos, é lógico que a indústria perdeu espaço", afirma.

Alarmante ou não a redução do emprego industrial, o prensista Luis Silva, de 51 anos, prevê dificuldades financeiras pela frente. Ele foi demitido no meio de junho e só conseguiu realizar a homologação no sindicato na semana passada. Estava há oito anos na empresa, que fica no bairro de Sertãozinho, em Mauá, local que concentra as indústrias da região.

Como tantos trabalhadores que migraram para o Grande ABC, Silva nasceu no Nordeste, em Alagoas. Decidiu migrar para São Paulo na década de 80. "Tenho de pagar o aluguel e não sei como vou fazer agora", diz. Ele é casado, mas a esposa não trabalha. Também tem duas filhas, que já saíram de casa e, por isso, não sabe se vai poder contar com a ajuda delas. "O mercado é que vai me dizer se consigo um novo emprego ou não", diz. / L.G.G.

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