Ronaldo Schemidt/ AFP - 12/8/2019
Ronaldo Schemidt/ AFP - 12/8/2019

Após primárias, dólar na Argentina supera 60 pesos e Banco Central aumenta juros para 74%

Chapa do opositor Alberto Fernández, na qual Cristina Kirchner é vice, conquistou 47,34% dos votos, enquanto a coalizão de Macri aparecia com 32,25%

Nicholas Shores, Altamiro Silva Junior e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 11h17
Atualizado 12 de agosto de 2019 | 16h21

A derrota do presidente Mauricio Macri nas eleições primárias, realizadas no domingo, 11, na Argentina, provoca um dia de pânico no mercado financeiro do país. O dólar disparou rapidamente na abertura do mercado e renovou máximas históricas, chegando a ser cotado a 62 pesos argentinos, uma alta de 36,7%.

A moeda da nação vizinha é, de longe, a que mais se desvaloriza no mundo nesta segunda-feira, 12. O Banco Central argentino elevou a taxa básica de juros em dez pontos porcentuais para 74% ao realizar um leilão de  Letras de Liquidez (Leliq).

O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos da Argentina, um termômetro do risco-país, também disparou e era negociado em 2.069 pontos no final da manhã de hoje, o que representa um aumento de 105% em relação ao fechamento de sexta-feira. Com um efeito de contaminação, as taxas no Brasil chegaram a bater em 144 pontos, perante fechamento de 130 pontos na sexta.

Em Nova York, as ações de empresas argentinas despencam e há quedas de até 60%. Papéis de instituições financeiras são os que mais perdem seu valor após Fernández afirmar, na noite de domingo, que é preciso reduzir o pagamento de juros aos bancos. Em Buenos Aires, o índice Merval, da Bolsa local, derretia 28%.

O pânico gerado nos mercados pelo resultado das primárias, que servem como uma espécie de pesquisa eleitoral para enxugar o número de candidatos que concorrem no pleito decisivo, deriva da interpretação de que "a amplíssima vitória do ex-chefe de gabinete dos Kirchner (Alberto Fernández) põe em xeque a política econômica do governo e o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", avalia a empresa de serviços financeiros INTL FCStone. "Desconta-se que, se esse resultado se repetir em outubro e se Alberto finalmente for eleito presidente, a Argentina se sentará para renegociar os termos e prazos previstos no pacto selado por Cambiemos (coligação de Macri) com o organismo internacional de crédito."

Com a apuração das urnas já perto de 100% no domingo, a chapa do opositor Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, havia conquistado 47,34% dos votos, enquanto a coalizão de Macri aparecia com 32,25% do total. Se o resultado se repetir em outubro, com os kirchneristas acima da marca de 45% dos votos, a oposição levará o pleito no primeiro turno.

Os bancos já dão quase como certa a vitória da chapa kirchnerista. Em relatório, o estrategista Tiago Severo, do Goldman Sachs, afirmou que o resultado é "quase irreversível". O Itaú informou que a probabilidade de Fernández perder a disputa é baixa.

Eleição em outubro

Macri reconheceu, na noite de domingo, a derrota nas eleições primárias no país para Fernández e disse que "doeu" não ter obtido todo o apoio que esperava no pleito.

 As eleições prévias na Argentina servem como uma pesquisa eleitoral do primeiro turno no país, programado para ocorrer em 27 de outubro. Pelas normas da eleição argentina, há chance de o pleito ser definido já no primeiro turno. Se a chapa mais votada obtiver 40% dos votos úteis e dez pontos porcentuais a mais que a coalizão segunda colocada, será eleita. Outro cenário para que a eleição presidencial acabe já no primeiro turno é o de a chapa que ficar em primeiro lugar obtiver 45% dos votos mais um.

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