Em meio a briga de sócios, Usiminas cancela divulgação de balanço

Disputa. Apresentação estava prevista para ontem, mas representantes de Nippon Steel e Ternium, que fazem parte do bloco de controle da siderúrgica mineira, voltaram a divergir sobre benefícios pagos à alta cúpula da empresa, destituída no ano passado

FERNANDA GUIMARÃES, MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2015 | 02h02

A disputa societária envolvendo os grupos Nippon Steel, do Japão, e a Ternium, subsidiária do grupo ítalo-argentino Techint, que fazem parte do bloco de controle da Usiminas, extrapolou os limites ontem, colocando a siderúrgica em uma situação vulnerável agora para o mercado. A companhia decidiu não divulgar os resultados financeiros ontem porque seus sócios novamente não chegaram a um consenso sobre os benefícios pagos a três executivos da Usiminas, que foram destituídos pela companhia, segundo fontes ouvidas pelo 'Estado'.

Durante a reunião realizada, na quinta-feira, por teleconferência entre os conselheiros da companhia para a aprovação do balanço referente ao quarto trimestre de 2014 e todo o ano fiscal do grupo, as rusgas entre os sócios vieram novamente à tona.

Foram apresentados na reunião dois documentos, de acordo com fontes. O primeiro referia-se ao balanço financeiro da empresa. O segundo tratava de um relatório de administração da empresa, no qual constava registros dos pagamentos de benefícios aos três executivos destituídos pela companhia em setembro passado - Julián Eguren, então presidente da siderúrgica, e os diretores Paolo Bassetti e Marcelo Chara, nomes de confiança da Ternium. A Nippon considera esses pagamentos irregulares. Já a Ternium discorda.

Segundo fontes, a Ternium não queria que constasse nesse relatório de administração essa reserva aos três executivos. A companhia teria alegado que a Nippon também paga de forma irregular consultoria prestada pelo presidente do conselho da Usiminas, Paulo Penido, e que esse fato também fosse então registrado em relatório.

Foi uma longa e tensa discussão que durou mais de três horas, novamente sem consenso, segundo fontes. O conselho fiscal da Usiminas havia recomendado a aprovação do balanço, com respaldo da auditoria independente, a EY. Procuradas, Nippon e Ternium não comentaram o assunto. Em comunicado enviado ao mercado, a siderúrgica informou que "manterá seus acionistas informados da nova data para a divulgação de seus resultados." Ontem, as ações preferenciais da companhia caíram 1,64%, para R$ 3,60.

A companhia tem até o dia 31 de março para essa divulgação. "O prazo legal será respeitado. Não houve atraso, o resultado só não foi antecipado", disse uma fonte a par do assunto.

Uma assembleia entre os acionistas está marcada para o próximo dia 25. Fontes a par do assunto informaram que pretendem se reunir antes para buscar aprovação do balanço.

Crise. Em meio à crise instalada entre os sócios, dois importantes acionistas que não fazem parte do bloco de controle da siderúrgica entraram no impasse. De um lado, a CSN, de Benjamin Steinbruch, entrou com novo pedido no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar se houve mudança do controle da Usiminas no momento da entrada do grupo Ternium no início de 2012. Se for comprovada a mudança de controle, a CSN quer ter direito ao "tag along", ou seja, pagamento do valor pago aos controladores à época.

De outro lado, Lirio Parisotto, por meio da L. Par, gerido pela Geração Futura, acionista da Usiminas, articula, segundo fontes, assento no conselho e busca presidir o conselho da siderúrgica. Procurado, Parisotto não retornou às ligações.

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