Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Em meio à crise, ociosidade da indústria bate recorde em agosto

A utilização da capacidade instalada da indústria caiu para 77,9% em agosto, o menor nível de toda a série histórica da CNI

Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2015 | 12h19

BRASÍLIA - A utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria caiu de 78,7% em julho para 77,9% em agosto, conforme informou nesta quinta-feira, 1, a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Este dado é dessazonalizado e é o menor nível de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2003. Já a UCI sem ajuste passou de 79,1% para 78,3% no mesmo período de comparação.

Com um resultado positivo em agosto ante julho, a massa salarial apresentou um aumento de 0,3% e o rendimento médio real um acréscimo de 1,1%. Embora esses indicadores tenham apresentado resultado melhor do que no mês anterior, a CNI ressalta que eles não sugerem melhora no mercado de trabalho industrial e devem estar associados ao crescimento dos gastos com demissões. 

O faturamento real da indústria subiu 0,7% em agosto ante julho, mas apresentou uma queda de 7,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. Este dado é dessazonalizado."Na comparação foi oito primeiros meses de 2015 com os mesmos meses de 2014, nota-se contração de 6,6% no faturamento da indústria", trouxe o documento Indicadores Industriais. 

Veículos. O setor de veículos automotores foi o que apresentou a maior queda de faturamento real na indústria de transformação em agosto ante o mesmo mês do ano passado. De acordo com a entidade, houve recuo de 32,9% no período, o que tornou a situação acumulada de 2015 negativa em 24,4%.

Também tiveram desempenhos negativos os setores de vestuário (-28,8% em agosto e -26,6% no acumulado do ano), móveis (-24,8% e -15,5%), máquinas e equipamentos (-23,2% e - 21,3%), produtos de metal (-19,7% e -12,2%) e impressão e reprodução (-17,9% e -15,5%).

Já os resultados mais positivos no período foram vistos nos setores de outros equipamentos de transporte (26,5% e 15,4%), químicos (16,3% e 17,1%) e celulose e papel (12,5% e 7,7%). 

Emprego. O nível de emprego na indústria recuou 1,1% em agosto na comparação com julho (dado dessazonalizado) e 7,1% ante o mesmo mês do ano passado. Até agosto, a baixa é de 5,2% ante os oito primeiros meses de 2014. 

Já o número de horas trabalhadas caiu 0,3% em agosto sobre julho e recuou 10,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a queda é de 9,2%. O rendimento médio real dos empregados da indústria - que subiu 1,1% no dado na margem, caiu 0,2% no dado anual e cresceu 0,2% no acumulado do ano - deverá apresentar resultados negativos nos próximos meses.

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