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Em meio à crise, crescimento da África se destaca

No fim de semana, governo brasileiro deu um fôlego para a economia de 12 países africanos ao perdoar US$ 879 milhões em dívidas

RAFAEL MORAES MOURA, ENVIADO ESPECIAL /ADIS ABEBA, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2013 | 02h04

Enquanto a crise assola a Europa, abala os Estados Unidos e transborda no Brasil, a África cresce - e quer crescer ainda mais. Se em 1963, quando foi criada em plena Guerra Fria a Organização da Unidade Africana (OUA), falava-se em libertar a região dos vestígios do imperialismo europeu e promover a integração continental, hoje, o foco da agora intitulada União Africana é disseminar políticas de desenvolvimento na região, substituir corrupção por boas formas de governança e garantir o bem-estar dos africanos.

O continente encara o desafio de se livrar de mazelas não superadas, como fome, guerras, aids, e não deixar que esse progresso fique à margem da população.

"Nós consideramos que há um renascimento africano nos últimos anos, até na última década. Esse renascimento africano é responsável por taxas expressivas de crescimento na África, com avaliações do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrando que entre os países que mais vão crescer estão os países africanos", comentou a presidente Dilma Rousseff no sábado, durante entrevista em Adis Abeba, capital da Etiópia, nas celebrações dos 50 anos da União Africana.

O Brasil deu um fôlego para a economia de 12 países africanos no fim de semana, ao perdoar US$ 879 milhões em dívidas. Receberam o perdão, Costa do Marfim, Gabão, República da Guiné, Guiné Bissau, Mauritânia, República Democrática do Congo, República do Congo, São Tomé e Príncipe, Senegal, Sudão, Tanzânia e Zâmbia.

Sediada na capital etíope, a união se localiza em um suntuoso prédio de US$ 200 milhões - bancado integralmente pelo governo chinês -, que deverá ter em breve por um hotel de luxo para abrigar as delegações estrangeiras. É mais uma imagem das mudanças na Etiópia, um dos países que mais crescem no mundo. O FMI prevê uma alta de 6,5% no PIB neste ano, e mais 6,5% no próximo.

Ligação direta. No país, há edifícios brotando a cada esquina, técnicas agrícolas mais avançadas sendo aplicadas, poeira por todos os lados e contrastes sociais ainda acentuados. A Ethiopian Airlines, cujo slogan é "O novo espírito da África", fará, a partir de julho, voos ligando a capital etíope a São Paulo e Rio de Janeiro.

"A criação da União Africana em 2002 foi um marco importante, pois significa que o continente soube dar uma nova cara e estrutura pro órgão continental. O foco passou a ser o desenvolvimento e o crescimento econômico, infraestrutura, luta contra a pobreza", avaliou o ministro Nedilson Ricardo Jorge, diretor do Departamento África do Ministério das Relações Exteriores. "A UA também tem tido um papel importante na defesa da ordem constitucional, com uma política bastante rigorosa de tolerância zero com golpes de Estado."

Muitos votos. Para o Brasil, o continente foi estratégico na eleição do embaixador Roberto Azevêdo para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nas contas do Itamaraty, Azevêdo obteve apoio de 43 países africanos, de um total de 50 votos possíveis na região - adesão proporcionalmente maior que a dos latino-americanos.

Não à toa, Azevêdo acompanhou Dilma na viagem pela Etiópia.

As oportunidades de negócio na região são cada vez mais aproveitadas por empresas brasileiras. Na Tanzânia, por exemplo, já estão presentes Odebrecht, Queiroz Galvão, Marcopolo, Astra e Green Best Solutions, e outras como a AGN Bioenergia, Ipiranga Lubrificantes e Embraer já estiveram lá buscando oportunidades de negócios.

"A consolidação da democracia em dezenas de países e a redução dos conflitos são fatores que já vêm impulsionando o crescimento africano nos últimos dez anos. Outros são a melhoria das condições macroeconômicas, o boom das commodities, a melhoria do ambiente de negócios e o fortalecimento do setor privado e da classe média, e o dividendo demográfico, acompanhado de um processo de urbanização", afirmou ao Estado o embaixador do Brasil na Tanzânia, Francisco Luz.

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