José Dias/PR - 13/10/2021
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Em meio à crise de energia, Bolsonaro diz que vai determinar reversão da bandeira escassez hídrica

Presidente quer que tarifa da conta de luz seja normalizada a partir do mês que vem; situação dos reservatórios das hidrelétricas ainda preocupa, apesar das chuvas recentes

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2021 | 22h53

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 14, que vai determinar ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a reversão da bandeira "escassez hídrica", taxa adicional cobrada sobre a conta de luz dos brasileiros. 

"Dói a gente autorizar o ministro Bento decretar bandeira vermelha, dói no coração, sabemos as dificuldades da energia elétrica. Vou pedir para ele... Pedir, não, determinar a ele que volte à bandeira normal a partir do mês que vem", disse o chefe do Executivo no evento Conferência Global 2021 - Millenium, organizado por evangélicos.

A bandeira escassez hídrica foi anunciada pelo governo em 31 de agosto como forma de financiar o acionamento de usinas térmicas em meio à crise hídrica, que compromete os reservatórios. "Deus nos ajudou agora com chuva, estávamos na iminência de um colapso. Não podíamos transmitir pânico à sociedade", disse o presidente, no evento, sobre a situação.

Crise hídrica

Reportagem do Estadão publicada nesta quarta-feira, 14, mostrou que as chuvas registradas nos últimos dias, combinadas com as medidas de redução de demanda, deram um alívio aos reservatórios do Sul e Sudeste/Centro-Oeste e diminuíram o risco de um novo racionamento nos moldes do de 2001. 

Segundo especialistas, no entanto, o cenário ainda é preocupante, uma vez que o período úmido só está no início e ainda não se sabe ao certo qual a intensidade da hidrologia nos próximos meses.

“A situação de suprimento ainda é desconfortável, mas melhorou na margem, ou seja, não é hora de comemorar o fim da crise hídrica. O cenário só despiorou”, diz o presidente da consultoria PSRLuiz Augusto Barroso

Os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste , responsável por 70% da capacidade, ainda estão em nível crítico, mas pelo menos ele parou de cair. Em 6 de outubro, as usinas da região registraram o menor patamar de água em seus lagos, de 16,49%. No dia 12, estava em 16,82%.

“Essa chuva vem em boa hora, mas não resolve o problema. É muito cedo para ter a real percepção da estação chuvosa. Essa melhora é fruto das ações que todas as entidades do CMSE [Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico] estão tomando desde outubro do ano passado”, disse o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Ciocchi, que participou do Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase) esta semana. /COLABOROU RENÉE PEREIRA

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