Em meio a crise, Eike vai fechar o capital da LLX

Decisão custará R$ 618,6 milhões a empresário e sócio; ações da empresa, que valiam R$ 8,77 em 2010, agora estão abaixo de R$ 3

GLAUBER GONÇALVES / RIO , O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h05

Articulador de uma estratégia que conseguiu captar bilhões na bolsa de valores para projetos que estavam apenas no papel, Eike Batista vai fazer o caminho inverso. Depois de listar cinco companhias, o empresário agora pretende fechar o capital da LLX, braço de logística da holding EBX. A operação pode custar R$ 618,6 milhões a ele e ao fundo de pensão de professores do Canadá, outro acionista da empresa.

O anúncio foi feito ontem, na esteira de uma das piores crises de credibilidade pelas quais já passaram as empresas "X", como são conhecidos os negócios de Eike. Há um mês, as ações das companhias do grupo despencaram depois que a OGX (óleo e gás) anunciou dados de produção abaixo do esperado. Para analistas, o episódio explica em grande parte a decisão da LLX de deixar o mercado de capitais, embora o grupo não tenha dado explicações oficiais.

"Bateram forte na OGX por ela não ter conseguido cumprir as metas. Como a LLX tem metas de longo prazo, o papel poderia continuar pressionado. Então Eike pode ter visto uma oportunidade de comprar um papel do grupo dele por um preço muito baixo", afirma o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

Cotadas a R$ 4,64 em julho de 2008, quando a empresa foi listada, as ações atingiram o pico de R$ 8,77 em setembro de 2010. Mas, ontem, os papéis eram negociados a R$ 2,96.

A LLX foi criada a partir de uma cisão de ativos da MMX, empresa de mineração do grupo EBX. A empresa toca o projeto do Complexo Industrial do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte fluminense. Além de dois terminais, que movimentarão minério de ferro, petróleo e outros produtos, o empreendimento prevê a instalação de um estaleiro da OSX e de uma série de empresas no seu entorno, incluindo duas siderúrgicas.

Reveses. Nos últimos meses, no entanto, o projeto do Açu vem sofrendo reveses. Em maio, a Justiça do Rio determinou a interrupção das obras de instalação da siderúrgica da Ternium no local. No começo de julho, rumores indicavam que a chinesa Wisco desistiria de uma unidade para produção de aço, informação que, mais tarde, a empresa desmentiu. Na semana passada foi a vez de a Anglo American anunciar o adiamento em um ano de seu projeto Minas-Rio, que prevê o embarque de minério de ferro pelo Açu.

O fechamento de capital foi confirmado depois de especulações sobre a saída LLX da BM&FBovespa, que levaram a uma valorização de 23% nos papéis da empresa na semana passada. A jogada de Eike foi vista como uma forma de reafirmar ao investidores a confiança em seus projetos, mas levou parte do mercado a se questionar se o empresário levará adiante a operação. / COLABOROU CLAUDIA VIOLANTE

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