Wilton Junior/Estadão
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Em meio à crise, Pedro Parente busca tempo para a BRF

Presidente do conselho tem reservado os fins de semana para despachar assuntos relacionados à empresa de alimentos

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 04h00

Enquanto tenta blindar a Petrobrás de investidas políticas e novos prejuízos com a greve dos caminhoneiros, o presidente da estatal, Pedro Parente, se esforça para acompanhar a resposta à crise pela BRF, onde ocupa o comando do conselho de administração há um mês. 

Uma das maiores companhias de alimento do mundo, a dona de Sadia e Perdigão tem sido afetada pelas paralisações. Ao menos 13 unidades de abate tiveram atividades suspensas ou reduzidas nos últimos dois dias. 

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Envolvido em negociações com o governo em Brasília, Parente não compareceu nesta quinta-feira, 25, à reunião do Conselho de Administração da BRF, o que provocou críticas de alguns acionistas nos bastidores, receosos com os efeitos da greve para uma companhia já bastante combalida – a empresa vem de uma ruidosa disputa societária e enfrenta bloqueios à venda de seus produtos no exterior.

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Segundo duas fontes ligadas ao conselho ouvidas pelo Estado, contudo, a ausência do presidente da Petrobrás não atrapalhou as deliberações e, por ora, não há clima ruim no colegiado. 

Parente vem mantendo contatos diários com o presidente interino, Lorival Nogueira Luz. Os dois executivos falam-se ao telefone ao fim de cada expediente. Conversaram ainda antes da reunião desta quinta do conselho, da qual Luz participou, de acordo com fontes.

O presidente da Petrobrás, que chegou a tirar alguns dias de férias da estatal para se inteirar sobre a situação da BRF, tem reservado os fins de semana para despachar sobre assuntos relacionados à empresa. Mas vem refutando nos bastidores uma troca de função. Especulações sobre eventual saída de Parente da Petrobrás rumo à presidência da BRF movimentaram as ações da companhia. Na contramão da petroleira, que registrou perda bilionária na Bolsa, as ações da BRF subiram 6%.

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A interlocutores, no entanto, Parente afirmou que nunca manifestou desejo de assumir a BRF. Ele lamentou “não poder conter especulações”, segundo uma pessoa próxima.

Vaga aberta. Alguns acionistas começam a demonstrar inquietude em relação à demora na definição do novo presidente executivo da companhia. Há um mês, Luz passou a acumular o cargo de diretor financeiro com o comando da empresa, após a renúncia de José Aurélio Drummond.

Com relação à greve dos caminhoneiros, desde sábado há um comitê de crise instalado, com a função de monitorar pontos de bloqueio, estruturar ações emergenciais, como a compra de grãos em locais próximos às unidades e tentativa de acessar transporte alternativos, como cabotagem. Em 2015, quando houve a última grande greve de caminhoneiros, um grupo foi montado com a participação do então presidente do conselho, Abilio Diniz, para pilotar a reação da empresa. Desta vez, o chefe do colegiado está atento, mas seu foco principal está em resguardar a Petrobrás.

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