Geraldo Kosinski/Petrobrás
Geraldo Kosinski/Petrobrás

Covid-19

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Em meio à crise, Petrobrás tem prejuízo de R$ 48,5 bilhões no 1º trimestre

Resultado, apesar de ser o pior já registrado pela companhia no período, ainda não teve o impacto da recessão global, disse o presidente da estatal

Denise Luna, Mariana Durão, Wagner Gomes e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 21h55

RIO E SÃO PAULO - A Petrobrás encerrou o primeiro trimestre amargando um prejuízo de R$ 48,5 bilhões, contra um ganho de R$ 4 bilhões no mesmo período do ano passado. É o pior resultado já registrado na história da companhia em um trimestre. Três fatores contribuíram para o resultado negativo: a deterioração intensa dos preços do petróleo, perdas cambiais decorrentes da desvalorização do real frente ao dólar e a realização de impairments, isto é, a adequação do valor recuperável de seus ativos frente ao novo cenário global.

O presidente da companhia, Roberto Castello Branco, menciona no balanço uma previsão de lenta recuperação da atividade econômica global e consequentemente da demanda por combustíveis. A expectativa é que a Petrobrás seja significativamente mais afetada pela recessão global detonada pela pandemia do novo coronavírus nos próximos trimestres.

A retração da demanda fez o preço do petróleo despencar a partir de meados de março, chegando em abril na casa dos US$ 30 por barril. A guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, com a frustração das negociações para a redução da oferta também pesou na decisão de reavaliar a recuperabilidade econômica de seus ativos. 

Foram reconhecidas perdas de R$ 65,3 bi no resultado de janeiro a março, em especial em campos de petróleo (R$ 57,6 bi) e pela hibernação de campos e plataformas em águas rasas. A estatal revisou suas premissas e agora trabalha com preços de petróleo que vão ficar entre US$ 25 e US$ 45 entre 2020 e 2024, abaixo do previsto anteriormente.

“O prejuízo contábil em nada afeta a saúde e sustentabilidade da Petrobrás. Trata-se de situação bastante distinta da vivenciada em 2014-2015 quando a companhia enfrentava duas crises, uma financeira e outra moral, e a baixa de ativos refletia a vulnerabilidade da companhia”, disse Castello Branco em mensagem aos acionistas.

Desconsiderando esses efeitos especiais da revisão de ativos, a empresa teria registrado um prejuízo de R$ 4,6 bilhões no primeiro trimestre. Ainda assim, o resultado seria pior do que o ganho de R$ 5,6 bilhões previsto por analistas do mercado financeiro, considerando a média das previsões de seis instituições financeiras consultadas pelo Estadão/Broadcast.

“Embora o preço baixo justifique uma reavaliação do valor dos ativos, a desvalorização realizada pela gestão da Petrobrás (US$ 13,5 bilhões) está muito acima do que foi feito pelas grandes petrolíferas do mundo. Entre as americanas e europeias, a maior foi o da Total num valor quase quatro vezes menor do que da Petrobrás (US$ 3,6 bi)”, disse Rodrigo Leão, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás (Ineep).

Apesar de ter fechado o trimestre no vermelho, a petroleira registrou alta de 6,5% na receita de vendas, para R$ 75,5 bilhões. Os maiores volumes de exportação da Petrobrás têm ajudado a compensar em parte a redução da demanda e vendas no mercado doméstico. No primeiro trimestre a empresa embarcou 1,03 milhão de barris de óleo equivalente por dia, um salto de 56,2% ante o intervalo de janeiro a março de 2019. 

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da petroleira foi de R$ 37,504 bilhões, frente os R$ 27,4 bilhões no mesmo período do ano passado, o que significa alta de 36,4%. Para o analista Pedro Galdi, da Mirae Asset, o resultado pode ser considerado positivo pelas incertezas do cenário que abateu o mundo oriental em março com a pandemia da covid-19. “Vale destacar que a alta do dólar no período acabou ajudando na receita e Ebitda, mas não no resultado financeiro”, disse. 

Cenário desafiador

A expectativa da companhia de enfrentar um cenário mais duro nos próximos trimestres é corroborada por especialistas do setor.“Certamente o resultado do próximo trimestre será ainda pior, porque vai refletir o impacto cheio do efeito da pandemia na redução da demanda e, consequentemente no preço”, diz Helder Queiroz, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e professor do Grupo de Economia da Energia da UFRJ (GEE/UFRJ).

Em relatório divulgado recentemente, o banco de investimentos UBS previu um cenário árduo para a empresa no trimestre de abril a junho. “Acreditamos que o resultado mais fraco no trimestre é apenas um primeiro sinal de um segundo trimestre bastante desafiador", afirma.

O presidente da estatal procurou reforçar o recado de que a Petrobrás seguirá  buscando a redução de custos, “um dos pilares de sua estratégia” que deve ser ainda mais urgente frente à crise global. O executivo afirmou que a meta da companhia este ano é reduzir os custos administrativos e operacionais em no mínimo US$ 2 bilhões, assim como a estrutura de custos fixos.

A estatal anunciou recentemente medidas como o corte de US$ 3,5 bilhões de investimentos previstos para este ano, suspensão do pagamento de dividendos e bônus a executivos, redução de salários e renegociação de contratos com fornecedores.

Endividamento

No balanço a Petrobrás destaca que a pandemia do covid-19, com seu forte efeito sobre os preços do petróleo e a atividade econômica, a levou a tomar várias medidas conservadoras para preservar sua posição de caixa. Entre elas, a empresa destaca a retirada das Linhas de Crédito Compromissadas assinadas com vários bancos, como forma de proteção durante o período de crise. 

O endividamento bruto da companhia fechou o trimestre em US$ 89,2 bilhões, alta de 2,4% ante dezembro, por conta do aumento de um financiamento de US$ 10,2 bi e uso de linhas de crédito compromissadas. A meta para 2020 é de US$ 87 bilhões, o mesmo nível que tínhamos no final de 2019. A Petrobrás ressaltar que continua buscando a redução da dívida bruta para US$ 60 bilhões, em linha com a política de dividendos. 

“O pequeno aumento da dívida, mesmo com queda considerável no caixa, demonstra o esforço da companhia em não abandonar suas diretrizes. Mas o recado do balanço é claro:  diante do atual cenário, a companhia precisará continuar encontrando soluções ( como o aumento da exportação ) para atingir seus objetivos”, avalia Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

A petroleira terminou o primeiro trimestre com saldo de caixa de US$ 15,5 bilhões e vem tomando diversas ações para reduzir o uso do caixa, destaca no balanço. A lista inclui uma reavaliação do portfólio, com projetos concorrendo entre si para a tomada de decisão sobre qual receberá investimentos.

Em linha

A receita líquida somou R$ 75,469 bilhões entre janeiro e março de 2020, avanço de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre, o indicador apresentou queda de 7,7%. 

De acordo com a média das projeções de seis casas (UBS, Santander, Bradesco BBI, BTG Pactual, Safra e Morgan Stanley) compiladas pelo Prévias Broadcast, a receita veio em linha com as previsões.

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