Em meio à crise, Standard & Poor's eleva classificação de crédito do Brasil

A agência de classificação de risco Standard and Poor's elevou ontem em um degrau a nota de crédito soberano do Brasil, argumentando que o governo tem demonstrado seu compromisso de atingir as metas fiscais. Em plena deterioração do cenário internacional, por causa da crise europeia, o upgrade (melhora da nota) foi comemorado pelo governo como um endosso da política econômica, e saudado por analistas como um reforço da posição brasileira.

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h05

"Acho importante o upgrade, nesse momento tão difícil para o mundo", comentou Arminio Fraga, da Gávea Investimentos, e ex-presidente do Banco Central (BC). Para Fraga, "é um ponto merecido para nós, e espero que contribua para reforçar uma agenda de reformas (econômicas)".

A S&P subiu o rating de longo prazo em moeda estrangeira do país de BBB- para "BBB", segundo nível do chamado "grau de investimento", a partir do qual a avaliação é de que o país mostra poucos riscos de calote. A perspectiva do Brasil, ainda segundo a S&P, é estável.

Segundo a S&P, o "upgrade" (melhora da nota) reflete de fato as políticas econômicas adotadas pelo governo. A agência cita as medidas fiscais rigorosas e a resposta do Banco Central (BC) às pressões inflacionárias.

Ao endurecer a política fiscal para combater a inflação neste ano, o governo alargou "o alcance do uso de ferramentas monetárias para influenciar a economia doméstica", informou a S&P em comunicado.

"Esperamos que o governo persiga políticas fiscal e monetária cautelosas que, combinadas com a resiliência econômica do país, devem moderar o impacto de potenciais choques externos e sustentar as perspectivas de crescimento no longo prazo", acrescentou a S&P.

As agências Fitch e Moody's já haviam elevado o rating brasileiro para o segundo degrau a partir do grau de investimento.

A decisão da S&P já era amplamente aguardada por investidores e teve pouco impacto no mercado. "Não é uma surpresa", disse o economista para a América Latina da Brown Brothers Harriman, Win Thin, em Nova York.

"No meu modelo, o Brasil tem nota de BBB+. Creio que venham novos upgrades à frente. Elas estão agora apenas reconhecendo o melhor no risco soberano do Brasil, diferente do que temos visto no mundo desenvolvido."

O mercado financeiro deu mais atenção à crise internacional do que à decisão da agência, e o Ibovespa caiu 2,68%, para 56.988,90 pontos.

O Ministério da Fazenda, por meio de nota, também comemorou a decisão da S&P. "A decisão da S&P de promover a nota brasileira em um momento delicado da economia internacional é um reconhecimento de que a política econômica encontra-se na direção correta e de que são sólidos os fundamentos macroeconômicos do País."/ FERNANDO DANTAS, GUSTAVO NICOLETTA e CLAUDIA VIOLANTE, COM REUTERS

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