Kimimasa Mayama/EFE/EPA
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ESG

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PIB da China supera expectativas, mas queda no varejo do país derruba mercados internacionais

Embora a economia do país asiático venha se recuperando, vendas no setor varejista sofreram uma inesperada queda anual de 1,8% no mês passado, indicando que a China ainda tem bolsões de fraqueza

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2020 | 07h00
Atualizado 16 de julho de 2020 | 18h51

As Bolsas da Ásia, da Europa e de Nova York fecharam em baixa nesta quinta-feira, 16, após dados mistos da China alimentarem preocupações sobre o ritmo de recuperação da segunda maior economia do mundo após o choque do coronavírus. A esse cenário, também se soma o aumento de casos de covid-19 nos Estados Unidos e o aumento das tensões entre as duas maiores potências do mundo.

Números de Pequim mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) da China teve expansão anual de 3,2% no segundo trimestre, superando expectativas de alta de 2,6% e após sofrer uma violenta contração de 6,8% nos primeiros três meses do ano em função dos efeitos da pandemia de coronavírus, que teve início na cidade chinesa de Wuhan.

Já a produção industrial do país cresceu 4,8% em junho ante igual mês do ano passado, como se esperava. Por outro lado, as vendas no setor varejista sofreram uma inesperada queda anual de 1,8% no mês passado, indicando que a China ainda tem bolsões de fraqueza.

Também continuam no radar as tensões entre EUA e China, que ganharam força desde que o governo chinês aprovou uma nova lei de segurança nacional para Hong Kong. Recentemente, os países impuseram sanções a autoridades e instituições um do outro. Segundo matéria do The New York Times, a Casa Branca considera agora proibir que membros do Partido Comunista da China e suas famílias viajem para os Estados Unidos.

A esse cenário, se soma o aumento dos casos de coronavírus nos Estados Unidos. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano (CDC), mais  67.404 novas contaminações foram identificadas, em um novo recorde para um período de 24 horas. No total, já foram identificados 3,4 milhões de casos de covid-19 na maior economia do planeta

Bolsas da Ásia 

Os mercados chineses lideraram as perdas na Ásia. O índice Xangai Composto teve queda de 4,5%, a maior desde o início de fevereiro, a 3.210,10 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto sofreu tombo ainda maior, de 5,2%, a 2.144,24 pontos. Foi o terceiro dia seguido de desvalorização das bolsas chinesas que, até então, vinham num rali que durou mais de uma semana. 

Em outras partes da região asiática, o índice acionário japonês Nikkei caiu 0,76% em Tóquio, a 22.770,36 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 2% em Hong Kong, a 24.970,69 pontos, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,82% em Seul, a 2.183,76 pontos, e o Taiex registrou baixa mais modesta, de 0,37%, a 12.157,74 pontos.

Na Oceania, a Bolsa australiana ficou no vermelho, reagindo também a dados ruins do mercado de trabalho doméstico e após o Estado de Victoria relatar o maior aumento diário no número de casos de coronavírus desde o início da pandemia. O índice S&P/ASX 200 caiu 0,69% em Sydney, a 6.010,90 pontos.

Bolsas da Europa 

Na Europa, nem mesmo o compromisso do Banco Central Europeu de ajustar sua política monetária sempre que for necessário, além da decisão por manter a atual taxa de juros, empolgou os investidores, que viram o Stoxx 600 fechar em queda de 0,47%. Por lá, as perdas também apareceram, com Londres  e Frankfurt registrando baixa de 0,67% e 0,43% cada. Já Paris cedeu 0,46% e Madri caiu 0,17%. As exceções foram Milão e Lisboa, com ganhos de 0,37% e 1,09%.

Bolsas de Nova York

Nas Bolsas de Nova York, os investidores também ficaram de olho no terceiro dia de balanços dos Estados Unidos. Hoje, o gigante Bank of America decepcionou, com queda de 52% no lucro, mas o Morgan Stanley trouxe alívio, com um resultado melhor que o esperado. Mesmo com a notícia, os índices fecharam em queda generalizada por lá. Dow Jones fechou com queda de 0,50%, enquanto S&P 500 Nasdaq tiveram perdas de 0,34% e 0,73% cada.

Petróleo 

A queda inesperada nas vendas do varejo chinês afetaram também a cotação da commodity, que se viu afetada pelas incertezas da retomada da economia, e consequentemente da demanda, de uma das maiores consumidoras de petróleo do mundo. A esse cenário já preocupante, também se soma o aumento dos casos de covid-19 dos EUA, que seguem batendo recorde em plena reabertura dos Estados.

Com isso, o WTI para setembro, referência no mercado americano e o atual contrato mais líquido do setor, recuou 1,14%, a US$ 40,93 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, caiu 0,96%, a US$ 43,37 o barril./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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