Em meio a especulações sobre eleição de domingo, Bolsa fecha em alta de 2,4%

Rumores sobre levantamentos eleitorais realizados por bancos, apontando ainda empate técnico entre Dilma e Aécio Neves, ditaram tom dos negócios

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 13h31

Atualizado às 17h36

As especulações em torno da corrida eleitoral foram intensas nesta sexta-feira, 24, e definiram o rumo da Bovespa. Tudo porque, após os levantamentos do Ibope e do Datafolha mostrarem ontem vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre Aécio Neves (PSDB), hoje o instituto Sensus revelou um quadro inverso, de liderança do tucano.

Com isso, a Bovespa chegou a subir 4,80% mais cedo, para depois desacelerar um pouco na reta final. Ainda assim, o Ibovespa avançou 2,42%, aos 51.940 pontos, interrompendo uma sequência de quatro dias de queda. Na semana, porém, houve perda acumulada de 6,79%.

Enquanto isso, o dólar fechou em queda de 1,83%, cotado a R$ 2,46, interrompendo quatro sessões consecutivas de alta. Na semana, o dólar acumulou ganho de 1,11%.

Pela manhã, antes mesmo da abertura do mercado, o instituto Sensus informou que Aécio Neves apareceu com 54,6% das intenções de voto e Dilma Rousseff somou 45,4%. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos, o que coloca o tucano em vantagem inclusive fora da faixa de empate técnico. Este cenário é diferente do visto nas pesquisas Ibope e Datafolha.

Os investidores foram em busca de ações, em meio à esperança de que Aécio Neves possa vencer. Reportagem da revista Veja deste fim de semana, dando conta que a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, sabiam de todo o esquema de corrupção montado na Petrobrás, também influenciou os negócios. A reportagem da revista cita depoimento do doleiro Alberto Youssef à Polícia Federal, prestado na última terça-feira, em Curitiba, no processo de delação premiada.

Em resposta, Dilma afirmou que a Justiça vai condenar a publicação pelo "crime". "Não posso me calar frente a este ato de terrorismo eleitoral articulado pela revista Veja e seus parceiros ocultos", disse a presidente, que classificou o teor da reportagem publicada pela semanal de "barbaridade" e de "infâmia".

À tarde, a Bolsa desacelerou os ganhos, em meio a certa acomodação. Vale destacar que, neste período, circularam rumores de que levantamentos eleitorais de bancos estavam mostrando proximidade entre Aécio e Dilma na disputa. "Hoje, nós estamos sendo surpreendidos positivamente, mas isso pode mudar um pouco até o encerramento da Bolsa. Há chances de o mercado ficar mais na defensiva", disse João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos, ainda no início da tarde.

As incertezas estavam relacionadas em parte ao debate da TV Globo, transmitido hoje a partir das 22h10. Um bom desempenho de Dilma Rousseff pode deixar a candidata ainda mais próxima da reeleição. "Há muita expectativa, porque haverá pouco tempo para reverter a impressão que ficar", disse Brugger.

Entre as estatais, Petrobrás ON subiu 4,32% e Petrobras PN teve ganho de 5,78%, após os recursos mais recentes. Banco do Brasil ON subiu 3,21%. Bradesco PN (+2,59%) e Itaú Unibanco PN (+2,79%) também subiram. (COLABOROU ESTEVÃO TAIAR)

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