Yves Herman/Reuters
Yves Herman/Reuters

Em meio à guerra comercial americana, UE e Japão fecham acordo sobre importações

Medida acabará com quase todas as tarifas aduaneiras entre bens japoneses e europeus; governo asiático diz que busca combater tendências globais de protecionismo

O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2018 | 03h02

TÓQUIO - Em meio à guerra comercial travada entre os Estados Unidos e a China, representantes da União Europeia se reúnem nesta terça-feira, 17, para assinar um acordo aduaneiro histórico que acabará com quase todas as tarifas sobre produtos importados entre as nações do bloco e o Japão. A medida foi acordada entre os países no ano passado em Bruxelas e será oficializado em Tóquio.

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Os presidentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que chegaram ao Japão na segunda-feira, 16, elogiaram o acordo comercial, que cobre um terço da economia global e mais de 600 milhões de pessoas. Em coletiva de imprensa na China, onde se reuniu com o presidente chinês Xi Jinping, Juncker afirmou que "o multilateralismo está sendo atacado de forma sem precedentes" desde o fim da Segunda Guerra Mundial. "Todavia, ainda há tempo para evitar o confronto e o caso", afirmou. 

Os termos estabelecidos no acordo comercial acabam com cerca de 99% das tarifas sobre bens japoneses importados à Europa e 94% dos produtos europeus vendidos no país asiático antes de atingir 99% nos próximos anos. A diferença se deve ao arroz, item considerado sensível ao Japão tanto cultural quanto politicamente e alvo de proteção especial por parte do governo japonês. Na prática, os preços de produtos importados europeus, como vinhos e carne de porco, serão mais baixos para os consumidores japoneses. Em contrapartida, peças de maquinaria, chás e o pescado nipônico ficarão mais baratos na Europa.

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Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Japão afirma que o acordo "histórico" firmado com a União Europeia busca combater outras tendências globais voltadas ao protecionismo e melhorar o posicionamento dos bens japoneses. Historicamente, os consumidores japoneses sempre buscaram produtos europeus. Com a queda nos preços, o governo espera um impulso no comércio. 

A União Europeia, também por nota, afirmou que a liberalização do mercado levará a um aumento das exportações de químicos, roupas, cosméticos e cervejas no Japão, o que irá garantir segurança e empregos na região.  A Comissária Europeia do Comércio, Cecilia Malstrom,  afirmou que o acordo entre o bloco e o Japão envia "um sinal claro" contra o protecionismo americano em um momento em que os Estados Unidos decidiu impôr tarifas sobre importações de nações aliadas. //ASSOCIATED PRESS, AFP

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