Brasil elogia abertura comercial dos EUA em sabatina da OMC

Brasil elogia abertura comercial dos EUA em sabatina da OMC

Enquanto Trump foi alvo de críticas de outros governos, Itamaraty indicou que quer cooperar com os americanos

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2018 | 18h56
Atualizado 18 Dezembro 2018 | 11h45

GENEBRA - O governo brasileiro deixou de lado as críticas contra a guerra comercial liderada pelo governo de Donald Trump na Organização Mundial do Comércio (OMC), elogiou as tarifas de importação nos Estados Unidos e sinalizou uma cooperação no que se refere à reforma do sistema multilateral. O recado brasileiro foi dado nesta segunda-feira, 17, durante a sabatina da OMC sobre a política comercial dos EUA. Governos de todo o mundo enviaram 1,7 mil perguntas e críticas para a administração Trump sobre suas práticas comerciais – apenas 33 foram enviadas pelo Brasil.

Trump foi duramente atacado em discursos de outros governos em Genebra diante da proliferação de medidas protecionistas e do bloqueio da Casa Branca aos trabalhos dos tribunais da OMC. O Brasil, ainda que tenha levantado críticas sobre subsídios, destacou os benefícios do comércio bilateral.

“Os EUA foram historicamente um dos líderes do regime multilateral, inclusive na OMC”, disse o embaixador do Brasil na organização, Alexandre Parola. “Não acreditamos que tais regimes sejam perfeitos. Não o são e damos as boas vindas a reformá-lo e aperfeiçoá-lo. Contamos com o engajamento dos EUA. Da mesma forma, eles podem contar com o nosso.”

O Itamaraty destacou a importância dos EUA como um “parceiro-chave do Brasil, tanto em termos bilaterais como no G-20 e na OMC” e, com base no informe oficial da entidade, indicou que as tarifas médias americanas são de 4,8%, o mesmo nível desde 2009. 

O embaixador, porém, não citou o informe que destaca o aumento no número de medidas antidumping. Em julho de 2018, 340 barreiras estavam em vigor nos EUA contra produtos estrangeiros. Em junho de 2016, eram 269.

O Brasil lembrou que a exceção na sua relação comercial com os EUA é distorção no mercado agrícola. Nesse setor, as tarifas são em média de 9,4% e, em alguns casos, superam 100%.

Os subsídios são outra “preocupação” apontada pelo Brasil. Citando a OCDE, o governo indicou que o apoio passou de US$ 29 bilhões em 2008 para mais de US$ 39 bilhões em 2017.

Todas as grandes economias criticaram os EUA. “O sistema multilateral está em crise profunda e os EUA são o epicentro”, afirmou embaixador da União Europeia, Marc Vanheukelen.

Para o governo chinês, o protecionismo e as políticas dos EUA “fazem ressurgir os fantasmas do unilateralismo que estavam adormecidos por anos”, disse o embaixador Zhang Xiangchen.

Aliados

Dennis Shea, o número 2 da Casa Branca para o comércio, acenou com vantagens para países aliados. “Estamos comprometidos em promover uma liberalização pelo mundo. Países que compartilhem nosso compromisso e que estejam prontos para dar oportunidades recíprocas em seus mercados domésticos podem contar com os EUA como um parceiro.”

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