Em meio a impasse, conversas na OMC continuam na terça

As conversas para tentar resgatar umacordo sobre o comércio global continuarão na terça-feira, comos negociadores tentando romper um impasse sobre medidasdestinadas a ajudar países pobres a proteger seus produtoresrurais contra as importações, disseram ministros. "Hoje (segunda-feira) foi uma montanha-russa emocional, masnós voltaremos amanhã (terça) com a forte determinação deprosseguir com as negociações", disse a comissária para aAgricultura da União Européia, Mariann Fischer Boel, ajornalistas depois do oitavo dia de conversas. "Nós ainda estamos trabalhando", afirmou a representantecomercial dos EUA, Susan Schwab, ao deixar a sede daOrganização Mundial do Comércio (OMC), à noite. Os Estados Unidos entraram em confronto com China e Índiana segunda-feira, reivindicando mais acesso a seus mercados, ea União Européia pleiteou novas condições nas negociações daOMC em Genebra, o que parece deixar a Rodada Doha do comércioglobal novamente distante de uma conclusão bem-sucedida. O novo entrave no processo se chama "mecanismo especial desalvaguarda" (MES), com o qual países pobres poderiam protegerseus produtores rurais contra quebras de preços ou aumentoexcepcional nas importações. Países em desenvolvimento que sãoexportadores de alimentos, como Uruguai e Paraguai, se opõem aessa ferramenta. "Estamos muito preocupados com a direção que alguns paísesestá tomando. Fico muito preocupada de que eles ameacem oresultado desta rodada", disse Schwab. Ela se referia especialmente a China e Índia, que insistemno mecanismo de proteção a seus produtores rurais. Asdivergências a respeito do MES impedem avanços também em outrasáreas, como a abertura dos mercados industriais, e segundofuncionários dos EUA representam a "maior ameaça" àsnegociações desde o início da Rodada Doha, em 2001. Em um telefonema na segunda-feira, a chanceler alemã,Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy,compartilharam suas preocupações com o rumo do processo,segundo um porta-voz do governo francês. A França defende os subsídios europeus a seus produtores equer uma proteção especial para as denominações alimentaresgeográficas -- o que beneficiaria seus vinhos e queijos, porexemplo. Já a Alemanha está interessada em mais oportunidadespara seus exportadores industriais. "Há um risco real de que este acordo não seja aceito pelospaíses europeus se as preocupações de todos os países europeusnão forem tratadas", disse o porta-voz de Sarkozy. Nove países da UE, liderados por França e Itália, formaramuma aliança para exigir que o comissário (ministro) europeu deComércio, Peter Mandelson, obtenha termos mais generosos,segundo uma fonte do governo italiano. MARATONA EM GENEBRA Representantes de cerca de 30 países estão em Genebra desdesegunda-feira da semana passada para tentar fechar um acordosobre a redução de subsídios agrícolas e de tarifas paraprodutos agrícolas e industriais, de modo a concluir a RodadaDoha do comércio global, lançada em 2001. Após um começo desanimador, a semana passada terminou comuma sensação geral de progressos -- até que os problemasvoltassem a aparecer. O ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, disse ajornalistas que seu país nunca aceitou a proposta apresentadana semana passada pela direção da OMC, mas continuou nanegociação na esperança de obter mais concessões dos paísesdesenvolvidos. "Ainda estou esperando que vejamos algum movimento, aindaestou otimista", disse ele a jornalistas após uma reunião comministros dos sete principais integrantes da OMC. Uma prioridade para a Índia é uma redução dos subsídiosagrícolas que seja ainda maior do que o corte de 70 por centoproposto para os EUA e de 80 por cento para a União Européia.Nath também insistiu na necessidade de salvaguardas parapequenos produtores rurais de países em desenvolvimento. Mas países que mesmo sendo pobres exportam alimentos tememque essas salvaguardas acabem lhes privando de seus principaismercados, que são os outros países em desenvolvimento. Pela proposta do MES, em alguns casos os paísesimportadores poderiam elevar suas tarifas para níveis acimadaqueles definidos no último grande acordo comercial global, aRodada Uruguai, de 1994. "Meu país não vai aceitar esses remédios que remontem a umestado pré-Rodada Uruguai", disse o representante de Montevidéuna OMC, Guillermo Valles Galmes. INDÚSTRIA Sob pressão para reduzirem seus subsídios agrícolas e astarifas em mercados como veículos e têxteis, os EUA querem queos países em desenvolvimento ofereçam como contrapartida umaabertura significativa de mercados industriais. Washington espera que China, Índia e outros aceitemnegociações setoriais, em que um grande número de paísesreduziria a quase zero as tarifas para a importação de diversossetores -- de joalheria a produtos químicos. Em 2005, numa reunião em Hong Kong, vários membros da OMCapoiaram a idéia de acordos setoriais "voluntários". China e Índia são contra uma cláusula que estimularia ospaíses a participarem de pelo menos duas negociações setoriais,permitindo que fizessem menos cortes em outras tarifasindustriais. Os países desenvolvidos querem negociações setoriais em"maquinários, químicos e automóveis, nos quais têm umasubstancial vantagem de exportações" e por isso pressionam pelaadesão de outros países, disse um porta-voz chinês. (Reportagem adicional de Doug Palmer, Laura MacInnis eRobin Pomeroy)

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