Em meio a novas desavenças, Doha está perto de colapso

As negociações para salvar umacordo mundial de comércio chegaram perto do colapso naterça-feira devido a desavenças sobre as medidas elaboradaspara proteger os agricultores de países pobres. Países em desenvolvimento como a China e a Índia entraramem rota de colisão com exportadores de alimentos como os EUA arespeito de garantias para impedir a entrada em massa de comidaimportada, enquanto continuam a persistir as divergências sobreoutras partes fundamentais do acordo. Ministros de vários países estudavam uma nova propostasobre as garantias enquanto as negociações ingressavam em seunono dia, fazendo desse o encontro de nível ministerial maislongo já realizado pela Organização Mundial do Comércio. Há uma chance real de que o processo fracasse. "Se as pessoas não desejam esse acordo, não há nenhumacordo melhor disponível. Deve-se considerar o que elas vãoperder se a rodada fracassar", afirmou o comissário do Comércioda União Européia (UE), Peter Mandelson. As negociações convocadas para salvar a rodada de Doha,iniciada sete anos atrás, estiveram "a um minuto" de seremsuspensas nas primeiras horas da terça-feira em virtude dapolêmica em torno das medidas de garantia, afirmou umaautoridade. E não há sinal de um acordo a respeito de uma novaproposta. "Não conseguiremos prosseguir dessa forma por muito tempo",afirmou um diplomata. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim,disse que as chances de um entendimento estavam cada vezmenores. "Se ontem eu disse que estava por um fio, hoje ele estáficando cada vez mais fino", declarou. Mas a ministra indonésia do Comércio, Marie Elka Pangestu,disse: "Alguns de nós estão dispostos a ficar aqui o temponecessário. Ficaremos por mais alguns dias se isso fornecessário." As negociações sobre o comércio mundial começaram em 2001,pouco depois dos ataques de 11 de setembro contra os EUA, naesperança de incentivar o crescimento da economia mundial eajudar os países pobres. O processo passou por várias crises e sofrerá um adiamentode mais alguns anos se não conseguir avançar de formadefinitiva agora. Negociadores dos EUA, da China e da Índia não conseguiramchegar a um acordo sobre os detalhes do "mecanismo desalvaguarda especial", criado para impedir a invasão deprodutos alimentícios importados em algumas áreas. A proposta coloca ainda em lados contrários paísesexportadores de mercadorias agrícolas, como o Paraguai e oUruguai, e os países pobres que temem pela sobrevivência deseus agricultores, em especial países da Ásia. PREÇO ASTRONÔMICO A China, o novo carro-chefe das exportações mundiais,participa de uma rodada de negociações da OMC pela primeira veze acusou os EUA de exigir demais dos países em desenvolvimento. "O ponto central das profundas dificuldades verificadasatualmente na rodada de negociações de Doha é o fato de que osEUA, a fim de proteger seus próprio interesses, estão cobrandoum preço astronômico", disse o ministro chinês do Comércio,Chen Deming, na segunda-feira, segundo a agência de notíciasXinhua. Uma autoridade norte-americana disse que os EUA nãopoderiam aceitar um acordo que prejudicaria a aberturacomercial. Acrescentando lenha na fogueira das dificuldadesenfrentadas nas atuais negociações, a França e outros oitopaíses da UE -- um terço dos integrantes do bloco -- exigirammaiores benefícios na segunda-feira. Mas a Alemanha, maior exportador do mundo, continuava dandoapoio ao acordo, disse um diplomata do bloco.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.