Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Em meio à pandemia, poupança tem captação recorde de R$ 27 bilhões em julho

Corrida para a caderneta é justificada pela postura das famílias em relação à crise e pelas ações do governo para manter a renda da população.

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2020 | 16h01
Atualizado 07 de agosto de 2020 | 17h54

Correções: 07/08/2020 | 17h53

BRASÍLIA - Em meio à crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus, as famílias brasileiras fizeram mais depósitos do que saques na caderneta de poupança em julho.

Dados do Banco Central divulgados na quinta, 6, mostraram que, no mês passado, os depósitos líquidos somaram R$ 27,144 bilhões. No dia seguinte, porém, o BC corrigiu a informação e atualizou que o valor depositado nas poupanças em julho foi, na verdade, de R$ 28,144 bilhões. Mesmo antes da correção, já se tratava do maior volume de depósitos líquidos para um mês de julho em toda a série histórica, iniciada em 1995.  

O mês de julho também foi o quinto consecutivo em que houve registro de depósitos líquidos. Em março, quando a pandemia do novo coronavírus fez com que o isolamento social se intensificasse, com reflexos sobre a atividade econômica, as famílias já haviam depositado R$ 12,169 bilhões líquidos na poupança. Em abril, foram R$ 30,459 bilhões. Em maio, R$ 37,201 bilhões. Em junho, R$ 20,534 bilhões.   

Esta corrida para a caderneta é justificada pela postura das famílias em relação à crise e pelas ações do governo para manter a renda da população.

Nos últimos meses o BC vem citando, por meio de documentos oficiais, que existe o risco de que a pandemia aumente a “poupança precaucional” no Brasil. Em outras palavras, o BC vê o risco de que as famílias, com medo do desemprego e da redução da renda, aumentem depósitos em aplicações como a caderneta de poupança, para formar um “colchão” em caso de emergências. Isso é visto com ressalvas, porque mais dinheiro na poupança significa menos consumo – e ainda mais dificuldades para as empresas brasileiras. 

O pagamento do auxílio emergencial à população de baixa renda, no valor de R$ 600, é outro fator que contribuiu para o aumento dos depósitos na poupança nos últimos meses. Os depósitos começaram a ser feitos em 9 de abril e parte deles segue depositado na poupança, por precaução.  

Os números de julho mostram que os depósitos brutos na caderneta foram de R$ 292,303 bilhões, enquanto os saques atingiram R$ 265,159 bilhões. Com isso, chegou-se à captação líquida de R$ 27,144 bilhões. Considerando o rendimento de R$ 1,887 bilhão de julho, o saldo total da poupança atingiu R$ 972,669 bilhões no mês passado. No ano até julho, a poupança acumulou depósitos líquidos de R$ 111,579 bilhões. 

Chama a atenção o fato de que a poupança vem sendo recebendo depósitos líquidos nos últimos meses a despeito de sua rentabilidade estar cada vez menor. Atualmente, a poupança é remunerada pela taxa referencial (TR), que está em zero, mais 70% da Selic (a taxa básica de juros). A Selic, por sua vez, está em 2% ao ano, no menor patamar da história. Na prática, a remuneração atual da poupança é de 1,4% ao ano – um porcentual que pode nem mesmo compensar a inflação corrente. 

 Esta regra de remuneração da poupança vale sempre que a Selic estiver abaixo dos 8,50% ao ano. Quando estiver acima disso, a poupança é atualizada pela TR mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês (6,17% ao ano).

Correções
07/08/2020 | 17h53

O Banco Central (BC) divulgou na quinta-feira, 6, que os depósitos líquidos em julho deste ano somaram R$ 27,144 bilhões, quando, na verdade, somaram R$ 28,144 bilhões. O BC corrigiu a informação nesta sexta-feira, 7.

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