Nicholas Shores/Estadão
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Em meio a retomada de vagas, estudante encontra emprego após 1 ano e meio

Dados do Caged divulgados nesta quinta-feira apontam saldo positivo de 35.457 postos de trabalho em agosto, o melhor resultado para o mês desde 2014

Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 16h55

Depois de ficar um ano e meio à procura de emprego, a estudante de enfermagem Vanessa Gestal, 27, conseguiu recentemente uma oportunidade como vendedora em uma rede de eletrodomésticos. "Quando cheguei a um ano sem trabalho, começou a bater um desespero", recorda. O caso dela é mais um entre os de inúmeras pessoas que se viram desempregadas no ápice da crise econômica e, agora, com a sequência de cinco meses com saldo positivo de vagas formais apontada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), encontram o retorno ao mercado de trabalho.

De acordo com os dados do Ministério do Trabalho, o saldo líquido de empregos formais no Brasil foi positivo em 35.457 vagas em agosto, o melhor resultado para o mês desde 2014. O número de postos gerados representa um ligeiro aumento em relação a julho deste ano, quando a diferença entre admissões e demissões ficou positiva em 34,9 mil postos.

Vanessa conta que, quando iniciou a busca por emprego, no início de 2016, pensou que precisaria de, no máximo, seis meses para encontrar uma oportunidade. Nesse tempo, ela diz que obteve ajuda do marido. "Se eu estivesse sozinha, não sei nem o que faria. Hoje em dia, não tem mais aquilo de que o marido é o provedor, então, enquanto eu não trabalhava, tinha uma sensação de inutilidade."

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Curiosamente, os papéis do casal se inverteram. O analista de sistemas Fernando Bolani, 25, casado com Vanessa, está desempregado desde julho deste ano e foi ao Poupatempo do bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo, nesta quinta-feira, 21, dar entrada no seguro-desemprego. Trata-se apenas de uma medida de "segurança" - ele afirma ter comparecido a duas entrevistas de emprego apenas nesta quinta-feira. "O mercado de TI (tecnologia da informação) está muito aquecido", explica.

 

 

Pejotização. A publicitária Rafaela Machado, 28, que também foi ao centro de atendimento do Estado solicitar o benefício, não pode dizer o mesmo sobre a sua área de atuação. Antes de deixar seu último emprego fixo, em maio, ela fez um planejamento financeiro para viajar durante dois meses e, ao retornar, ainda ter uma reserva para sustentá-la enquanto buscava uma nova oportunidade. "Estava usando a verba da minha rescisão até agora, mas acabou. Ainda não estou desesperada, mas já bate alguma ansiedade", afirma.

Em sua atual procura, Rafaela tem se deparado com uma mudança nas condições oferecidas por empresas do ramo de publicidade. "Quando leio os pré-requisitos para algumas vagas, penso que me encaixo. Mas aí o salário é de R$ 2,5 mil, para receber como pessoa jurídica. A CLT está extinta", lamenta.

Sem registro. Quem trabalha na informalidade, como Rozenilda Rosena Nascimento, 50, sequer engrossa as estatísticas do Caged. Após passar cinco meses em busca de trabalho, a cuidadora de idosos preferiu aceitar uma vaga sem registro profissional a continuar se "descabelando" com as dívidas que não podia pagar. "Ganho hoje um pouco mais do que no último emprego, mas sem qualquer benefício trabalhista", afirma ela.

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Rozenilda diz que segue à procura de um emprego formal, mas ainda não tem entrevistas agendadas nem perspectiva de quando essa possibilidade vai se concretizar. Na informalidade, ela permanece "por enquanto, para não ficar desempregada".

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