Em menos de 2 anos, 6 bancos quebrados

Liquidação do Cruzeiro do Sul e do Prosper amplia número de instituições fechadas pelo BC, mas nem todas tiveram o mesmo destino

DAVID FRIEDLANDER, LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 04h25

Com a liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper, decretada ontem pelo Banco Central (BC), passou para seis o número de instituições financeiras que quebraram no Brasil em menos de dois anos. Quatro delas - Panamericano, Schahin, Morada e o próprio Cruzeiro do Sul - fraudavam seus balanços para esconder do público rombos que totalizavam quase R$ 9 bilhões.

O destino dos bancos quebrados não foi o mesmo para todos. Panamericano, Schahin e Matone foram socorridos com dinheiro do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e passados para outras instituições. O Morada até agora era o único do grupo a sofrer liquidação.

O Cruzeiro do Sul, que tinha um buraco de R$ 3,1 bilhões, estava sob intervenção do BC desde o início de junho. Para continuar funcionando, precisava ser vendido para outro banco pelo FGC, que assumiu a gestão a pedido do BC. Como as negociações com o único interessado - Santander - não prosperaram, o BC liquidou a instituição - conforme anteciparam o serviço Broadcast, da Agência Estado, e o estadao.com.br.

O Prosper teve o mesmo destino porque, no fim do ano passado, tinha sido comprado pelo Cruzeiro do Sul. O BC, no entanto, ainda não havia dado o sinal verde para a operação. Por isso, os bens dos controladores e ex-administradores do Prosper ficaram indisponíveis, como já estavam os do Cruzeiro do Sul.

Juntos, os dois bancos detinham 0,36% dos depósitos e 0,26% dos ativos do sistema financeiro. Ainda segundo o BC, 35% dos depósitos à vista do Cruzeiro do Sul estavam cobertos pelo FGC. No caso do Prosper, eram 60%. Ou seja, esses depositantes não vão perder seu dinheiro com a liquidação. A despesa total do FGC com a operação é estimada em R$ 2,2 bilhões.

"O sistema financeiro nacional está saudável, hígido e tem elevados índices de capitalização", disse ao Estado o procurador-geral do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira. Segundo ele, os problemas dos últimos meses foram relevantes, mas pontuais, e "sem repercussão sistêmica".

Havia duas condições para evitar a liquidação do Cruzeiro do Sul. Pelo menos 90% dos credores do banco - a maioria deles estrangeiros - precisavam aceitar um desconto médio de 50% no que tinham a receber. A segunda condição era a venda para outra instituição financeira.

Videoconferência. Seis bancos avaliaram os números do Cruzeiro do Sul, mas nenhum fez proposta até o prazo final originalmente estabelecido (7 de setembro). Diante da situação, o próprio FGC elaborou uma proposta e a apresentou à meia dúzia de instituições que demonstraram algum interesse. O Santander foi o único a iniciar negociação.

Na quarta-feira, os executivos do FGC e do banco espanhol passaram o dia na sede do Santander, na zona sul de São Paulo. Deixaram o prédio por volta das 2h30 de quinta-feira com um acordo verbal costurado.

Na quinta-feira, as conversas se deram por videoconferência. O pessoal do FGC estava na sede da entidade, na zona oeste da capital paulista, e os executivos do Santander na sede do banco. Diretores do BC acompanharam tudo pelo telefone.

O negócio emperrou quando o Santander demonstrou receio com os chamados passivos contingentes ocultos - que incluem despesas com ações judiciais e eventuais multas aplicadas por órgãos públicos como a Receita Federal, entre outros fatores.

Nem o Santander nem os outros bancos conseguiram estimar com alguma segurança o custo dessa conta no futuro. "Pode ser zero, mas também pode ser R$ 1 bilhão", disse uma fonte com conhecimento do assunto. Para se proteger de eventuais prejuízos, o Santander, então, exigiu mais garantias do FGC, que não concordou.

O BC está investigando a atuação dos responsáveis pelo Cruzeiro do Sul, controlado por Luis Octavio Índio da Costa e seu pai, Luis Felippe. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas punitivas de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes", afirmou em nota o BC.

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