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Em MG, caminhoneiros começam a liberar vias interditadas

Paralisação bloqueia trechos em vários Estados; veja como ficam as estradas

O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 11h39

(Atualização às 17h40)

Após a determinação da Justiça Federal, que mandou liberar o tráfego nas rodovias de Minas Gerais, os caminhoneiros começaram a liberar a Fernão Dias na manhã desta quarta-feira, 25. Porém, até esta tarde o trânsito ainda seguia lento em alguns pontos. Por volta das 13h15 eram registrados 16 quilômetros de congestionamento no quilômetro 513 da rodovia, na região de Igarapé (MG), para quem seguia sentido a São Paulo. Muitos caminhoneiros também continuavam parando às margens da pista já sinalizando a possibilidade de novas manifestações.

O fim dos bloqueios não tem ocorrido em Minas Gerais nas estradas que não estão sob jurisdição federal. Em Divinópolis (MG), o protesto continuava nesta tarde na BR-494 envolvendo cerca de 400 caminhoneiros que chegaram a queimar pneus no meio da pista. Na região já é registrada falta de combustível nos postos. A Polícia Militar, que informou não ter recebido a decisão que manda desbloquear as rodovias, ainda tentou negociar com os manifestantes, porém, sem êxito.

Na MG-050 também há sinais de protestos em alguns trechos, um deles em São Sebastião do Paraíso (MG), no sul do estado. A decisão judicial que manda desbloquear as rodovias foi proferida pela 14ª Vara Federal e prevê multa de R$ 5 mil para os motoristas em caso de descumprimento e R$ 50 mil para as entidades envolvidas.

Segundo a Polícia Federal, caminhoneiros bloqueiam vias em 10 Estados. Os caminhoneiros pedem a redução do preço do combustível, aumento do frete e valor recebido conforme a carga e a distância da viagem feita por eles. A greve já começou a se refletir no abastecimento de alimentos e insumos em diversas regiões do País.

A liberação das estradas começou no início da manhã, quando policiais começaram a notificar os caminhoneiros a respeito da liminar concedida pela Justiça Federal para a que os bloqueios fossem interrompidos. Mas a maior parte das rodovias permaneceu com trânsito bastante lento durante toda a manhã, como no trecho da BR-381 entre Belo Horizonte e São Paulo, próximo a Igarapé, na região metropolitana da capital mineira. 

Quem trafega no sentido Belo Horizonte-São Paulo enfrenta um congestionamento de aproximadamente 30 quilômetros. Além da grande quantidade de caminhões voltando a circular, a situação foi agravada por uma obra na pista, que teve que ser suspensa por determinação da PRF. No sentido inverso, segundo a polícia, a fila tinha cerca de sete quilômetros.

Na terça-feira, 24, a polícia chegou a registrar 12 pontos de interrupção por causa da paralisação dos caminhoneiros. Para liberar as pistas, a PRF iniciou operação às 6h, com uso inclusive de pessoas administrativo, além de apoio da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança, mas, segundo o policial rodoviário federal Renato Messias, não houve resistência.

A liminar expedida pela 14 Vara Federal em Belo Horizonte determinava multa de R$ 50 mil por hora para entidades que mantivessem os bloqueios e de R$ 5 mil por hora para cada caminhoneiro que se recusasse a acatar a determinação. O Judiciário também autorizou a polícia a usar a força para liberar as pistas. No fim da manhã, caminhoneiros também fecharam a BR-365, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, mas suspenderam o bloqueio após serem notificados sobre a decisão judicial.

O fim da paralisação foi um alívio para parte dos caminhoneiros. Rubens Carlos Santos, por exemplo, viajava de Fortaleza (CE) para São Paulo com a mulher Ana Carla, a sogra Maria Edite e o filho Geoge Robert, de 5 anos. Na segunda-feira, 23, ao ser parado em uma babrreira montada pelos caminhoneiro.s próxima a Igarapé, Santos avisou que a criança passava mal, e os manifestantes tentaram puxá-lo à força para fora do veículo, que ainda foi apedrejado. "Me ameaçaram de morte. Agora, só saio daqui com escolta, porque vou ter que passar por eles (manifestantes)", desabafou o motorista, que optou por permanecer parado no posto da PRF em Betim, também na região metropolitana de Belo Horizonte.

Rio Grande do Sul. A continuidade dos protestos de caminhoneiros aumenta o prejuízo para a economia do Rio Grande do Sul. Os bloqueios de estradas em muitas regiões do Estado estão impedindo o transporte de mercadorias perecíveis e de primeira necessidade, como leite, frutas e carnes, o que afeta a atividade das indústrias de alimentos. As manifestações também começam a provocar o desabastecimento de postos de combustíveis em algumas cidades. Na manhã desta quarta-feira, 25, foram registrados mais de 50 bloqueios em rodovias federais e estaduais. 

Em nota, a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) confirmou a preocupação com o desabastecimento das lojas no Rio Grande do Sul, principalmente de produtos de açougue e hortifrutigranjeiros. No norte do Estado, muito atingido pelos protestos, mercados de Passo Fundo e Ijuí começam a acusar a falta de produtos. Nestes casos, a Agas recomenda que os estabelecimentos supram os estoques por meio da compra direta de produtores locais.

A paralisação de caminhoneiros também dificulta o transporte de farelo para ração de suínos e aves em regiões rurais. Alguns frigoríficos estão sem atividade desde segunda-feira. 

No setor leiteiro, segundo o Sindilat-RS, mais de 50% da produção na região norte do Estado foi comprometida, já que a matéria-prima não está chegando às indústrias. Como os caminhões não conseguem fazer a coleta e os estoques resfriados das propriedades rurais estão cheios, alguns produtores foram a obrigados a jogar o leite fora. 

Ceará. Os caminhoneiros do Ceará também aderiram à paralisação nacional. A ação acontece nesta quarta-feira, 25, na BR-116, nas proximidades do quilômetro 15, no município do Eusébio. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Ceará, o engarrafamento já atinge seis quilômetros de extensão. 

De acordo com PRF, no trecho das alças do viaduto do Anel Viário há interdição total. Os motoristas devem buscar caminhos alternativos. Não há previsão de liberação. A chuva, que cai pelo quarto dia consecutivo em Fortaleza e região metropolitana, torna o tráfego ainda mais complicado.

O educador físico Tayronne Gomes ficou parado no congestionamento. "Quem precisar vir aqui para  a Raul Barbosa, sentido BR-116  Via Expressa, evite. Pegue outra via, porque está tudo parado. Da guarita do Parque do Cocó até o Makro está tudo parado. No sentido contrário, não tem tráfego, mas está tudo alagado. Só passa com caiaque", disse.

A manifestação começou na tarde de terça-feira, 24, e conta com 70 caminhões paralisando o tráfego nos dois sentidos. Apenas uma mão de cada via é liberada para carros, motos e pedestres.O caminhoneiro Vicente Holanda disse que com o valor do diesel mais alto e o do frete baixo, fica impossível trabalhar. "Só vamos parar com as manifestações quando alguma autoridade vier conversar", afirmou.

Segundo o Sindicato dos Caminhoneiros do Ceará (Sindicam-CE), o protesto poderá afetar a distribuição de alguns produtos adquiridos em outras regiões, como laranja, tomate  e batata que são importados do Paraná e de Goiás. A Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad) confirmou, por meio de nota, que, caso as manifestações prossigam por mais tempo, poderá haver problemas de abastecimento.

Goiás. Dois pontos importantes da BR-153 amanheceram nesta quarta-feira, 25, interrompidos pelo protesto dos caminhoneiros. Em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiânia, o bloqueio surpresa foi promovido nos dois sentidos da rodovia e logo no início do dia prejudicou o fluxo dos ônibus que faziam o transporte coletivo de passageiros. 

Aos poucos os motoristas, sob monitoramento da Polícia Rodoviária Federal, foram organizando a barreira para a passagem dos veículos que não transportavam carga. Mas, iniciada por volta das 6h, a manifestação causou tumulto na região, que registra tráfego urbano junto de um grande fluxo de veículos de carga que trafegam do Norte do País e Distrito federal, com destino a Minas Gerais e São Paulo, por exemplo.

Foi o segundo bloqueio no mesmo trecho da rodovia desde que os protestos começaram, há mais de uma semana. O primeiro deles interrompeu o fluxo no fim da manhã de terça-feira, 24.

E quem seguia viagem rumo ao Sul de Goiás tinha o receio de enfrentar outro bloqueio na BR-153. O segundo bloqueio foi montado em Itumbiara, na divisa com Minas, desde o final da tarde de terça-feira, 24, e mantido nesta quarta, próximo ao quilômetro km 702 da BR.

Desde a semana passada, bloqueios também foram armados em diferentes pontos das BRs-364 em 158, em Goiás, prejudicando o tráfego em zonas de alta produção e transporte agrícolas, como Jataí, Mineiros e Caiapônia, grandes produtoras de grãos.

(Reportagem de Marília Assunção, Carmen Pompeu, Marcelo Portela e René Moreira)

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