Edu Andrade/ Ministério da Economia
Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro Edu Andrade/ Ministério da Economia

Em nova promessa, Guedes diz que não vai prometer mais nada

Ministro da Economia chamou de 'negacionista' quem diz que ele não está fazendo as entregas esperadas na área econômica; ele admitiu , porém, que esperava avançar com 'mais ímpeto' nas reformas econômicas.

Lorenna Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 14h29

BRASÍLIA - Criticado por não cumprir o prazo de promessas que fez sobre temas como privatizações e votações no Congresso Nacional, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez uma nova: de que agora não prometerá mais nada.  

“Acabou. Não prometo mais nada. [Agora, só digo] ‘Espero que Congresso aprove. Felicito o Senado pela aprovação’. Aprendi”, disse nesta sexta-feira, 18, em coletiva de imprensa para um balanço das ações do ministério este ano. "Falei 'em 15 semanas vamos mudar o Brasil'. Não mudou nada, teve a pandemia. Agora a mesma coisa. 'Vamos anunciar em 90 dias as privatizações', aí descubro que tem um acordo político para inviabilizar e não pautar. Aí a conta vem de novo, 'ele não entrega'", disse.

O ministro chamou de “negacionista” quem diz que ele não está fazendo as entregas esperadas na área econômica. “Toda vez que fiz promessa, foi depois de conversas políticas. Sou acusado toda hora de não entregar, estamos entregando alucinadamente. Existe uma campanha negacionista, não científica, de acusações [contra a equipe]”, afirmou.

Ele, no entanto, reconheceu que não fez tudo o que gostaria, mas disse que há um reconhecimento do mercado em relação ao seu trabalho. “A Bolsa tá no máximo, o dólar caiu, mas negacionismo diz que situação fiscal está cada vez mais complicada. Claro que queremos fazer reforma fiscal, a prioridade é o pacto federativo”, completou. 

Ele admitiu , porém, que esperava avançar com mais ímpeto nas reformas econômicas. Em dois anos de governo e com uma pandemia no meio do caminho, apenas uma das grandes reformas (a da Previdência) foi aprovada pelo Congresso, e as privatizações patinam nas resistências políticas à redução da participação estatal em empresas. “Eu esperava avançar com mais ímpeto? Sim”, respondeu Guedes, em coletiva virtual para apresentar o balanço de fim de ano.

O ministro disse que até agora não se sabe se o governo é reformista ou não porque “na hora da verdade chegou um vendaval”. “Só achamos nosso eixo político agora”, disse.

Agora, com uma base aliada mais ampla no Congresso, Guedes disse que, pautando as reformas, será possível ver se o governo é reformista ou não. “Pode ser que realmente eu não consiga entregar algumas coisas, aí vou pedir desculpas”, reconheceu.

O ministro disse que sempre houve uma aliança entre o centro conservador e a liberal-democracia, e avaliou ser natural perguntar ao liberal o que acha do conservador em matéria econômica. “O presidente tem um instinto, ele mostra capacidade de entender o peso do Estado. Mas é natural, governos militares deixaram legado de obras. Então é natural pensar em fazer obra, usar empresas estatais”, justificou.

Apesar de ter admitido que esperava avançar com mais ímpeto, Guedes disse que houve obstáculos que, em sua avaliação, não foram colocados pelo presidente. Ele citou como evidência disso o fato de o presidente, Jair Bolsonaro, ter levado ao Parlamento a proposta do pacto federativo, com medidas de desvinculação e desindexação de despesas (tirar as "amarras" do Orçamento). Segundo o ministro, muitos críticos das medidas também estavam colocando barreiras a seus avanços.

“Sou acusado de não estar sendo liberal o suficiente. Isso é reconfortante”, disse.

Apesar de ter avançado menos que esperava, Guedes disse achar que o governo e o País reagiram bem ao teste imposto pela tragédia da covid-19. Ele ainda fez um aceno ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tido hoje como seu desafeto após uma série de desentendimentos entre os dois.

“Apesar de disfuncionalidades, o presidente da Câmara nos ajudou. Compreendemos quando houve caminhos bloqueados, mas queremos superação disso”, afirmou. A disfuncionalidade, na visão de Guedes, é o fato de Maia não ter pautado propostas que foram plataforma de campanha do governo Jair Bolsonaro.

Em um tom amigável, o ministro defendeu que não se pode entrar num clima de briga, de ódio. E concluiu a entrevista coletiva desejando “saúde e vacinação para todo mundo”.

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Guedes diz que equipe econômica pressionou Saúde a destinar mais recursos 'na luta contra a doença'

Segundo o ministro da Economia, o Brasil deve fechar o ano sem perda de postos de trabalho; ele reconheceu que a luta contra a pandemia “não está encerrada” e disse que a vacinação em massa da população será “o capítulo mais importante”

Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 11h24

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira, 18, que mais da metade dos recursos destinados pelo governo no combate à pandemia mirou na preservação da vida dos brasileiros e afirmou que, em determinados momentos, foi a equipe econômica que pressionou o Ministério da Saúde para empenhar mais verbas na luta contra a doença.

Em entrevista coletiva de balanço de fim de ano, Guedes disse que colocou seu secretário-executivo, Marcelo Guaranys, à disposição do Ministério da Saúde para resolver quaisquer problemas de recursos ou medidas para a saúde. A Saúde, porém, enfrentou alguns problemas operacionais para usar os recursos, segundo o ministro da Economia. “Se houve uma pressão foi nossa no Ministério da Saúde para empenhar mais recursos”, disse.

Guedes estimou que aproximadamente 70% dos recursos destinados ao combate à covid-19 foram empregados na preservação de vidas e outros 30% em medidas de crédito, ajuda a empresas e preservação de empregos. Ele voltou a repetir a previsão de que o Brasil deve fechar o ano sem perda de postos de emprego. “Acho que Brasil é o único que conseguiu manter empregos formais”, disse. “Converso com ministros de outros países e não há caso de zero empregos perdidos.”

O ministro citou que, segundo ele, o presidente Jair Bolsonaro foi quem indicou a necessidade de conciliar duas preocupações: a de salvar vidas e a de preservar empregos. “O próprio presidente calibrou bem para cima o auxílio emergencial”, disse. O benefício pago a vulneráveis na pandemia começou em R$ 200 propostos pela equipe econômica, depois elevado a R$ 500 pelo Congresso e, por fim, alcançou R$ 600 com chancela de Bolsonaro. Esse valor permaneceu por cinco meses e, depois, foi reduzido a R$ 300.

Ao citar uma série de medidas tomadas pelo governo na pandemia, Guedes mencionou a ajuda financeira a Estados e municípios, que incluiu um repasse de R$ 60 bilhões em recursos, mas resultou num alívio maior por causa da suspensão temporária de dívidas. “No combate à covid, fizemos valer nosso plano de que mais Brasil, menos Brasília é importante”, afirmou.

“A democracia brasileira surpreendeu o mundo e funcionou exemplarmente”, disse Guedes. Para o ministro, a democracia é “ruidosa e barulhenta”, com disputa de espaços, mas ele avaliou que o Brasil funcionou “de forma surpreendente”. “O Brasil reagiu extraordinariamente bem do ponto de vista econômico”, afirmou.

Em meio ao aumento no número de casos e mortes por covid-19 no Brasil, Guedes reconheceu que a luta contra a pandemia “não está encerrada” e disse que a vacinação em massa da população será “o capítulo mais importante”.

Embora Bolsonaro venha desencorajando a população a se vacinar contra covid-19, o ministro destacou que a imunização é o que sustentará o fôlego da recuperação econômica. “O retorno seguro ao trabalho exige vacinação em massa da população”, disse.

Ele comparou o Brasil a um pássaro: “Para voltar a voar, ele precisa bater as duas asas. Da recuperação econômica e da saúde, com vacinação em massa”.

Apesar de destacar a importância da imunização para a retomada econômica, Guedes alinhou-se ao discurso do presidente e defendeu que a vacinação seja voluntária. “É vacinação voluntária. O que governo tem que fazer é disponibilizar todas as vacinas, e o brasileiro pode escolher vacina que quer tomar. E não paga”, afirmou o ministro. “Vacinação gratuita e voluntária é o que precisamos para asa da saúde voltar a bater.”

Guedes citou a medida provisória já editada pelo presidente para destinar R$ 20 bilhões à compra de vacinas para a população. O governo, porém, tem sido criticado pela ausência de detalhes em seu Plano Nacional de Imunização e pela demora em acordos com laboratórios para compra de doses de vacina.

O ministro disse que o ano de 2020 foi “extremamente difícil” e disse ser “elogiável a resiliência do povo brasileiro durante toda a pandemia”.

Problemas técnicos

O ministro demonstrou irritação com problemas técnicos que ocorreram no início da transmissão de coletiva virtual em que ele faz um balanço do ano de 2020. Com pouco mais de 10 minutos do início, a transmissão caiu. Antes de o ministro perceber, porém, já havia voltado, quando foi possível ouvir as reclamações do ministro. “Aí o pessoal fala mal do governo, como um todo. ‘É muito ruim de comunicação, imagem é péssima, nada funciona direito’” disse, incomodado. 

Guedes então foi informado pelo técnico de que o áudio estava “passando”. “Um espetáculo. Faço questão de transmitir para fora o negócio, pra ficar mais bonito”, completou.

Essa é uma das raras coletivas que dá para a imprensa - o ministro costuma fazer pronunciamentos sem responder a perguntas. “Os senhores me desculpem, vamos seguir”, disse o ministro, ao retomar a entrevista. 

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'Sou obrigado a recomendar que não pode ser dado o 13º do Bolsa Família', diz Guedes

O ministro da Economia admitiu que o governo não mandou proposta; Bolsonaro disse, na quinta-feira, que o pagamento não foi feito porque o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deixou a MP que garantiu o benefício extra em 2019 perder validade

Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 12h36

BRASÍLIA - Após o presidente Jair Bolsonaro jogar a cobrança pelo 13º do Bolsa Família no colo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o governo não encaminhou proposta de pagamento do abono natalino aos beneficiários do programa em 2020 para não cometer um crime de responsabilidade.

“Sou obrigado, contra minha vontade, a recomendar que não pode ser dado o 13º do Bolsa Família”, disse Guedes em entrevista coletiva virtual para apresentar um balanço de fim de ano. “É lamentável, mas precisa escolher entre um crime de responsabilidade (13º) e a lei.”

“Não teve 13º para Bolsa Família este ano porque presidente da Câmara deixou MP caducar”, disse Bolsonaro na quinta-feira, 17, em transmissão numa rede social. "Vai cobrar do presidente da Câmara." 

Em entrevista ao Estadão, Maia reagiu dizendo que o presidente era “mentiroso” e avisou que pautaria a criação do 13º ainda nesta sexta-feira, 18, por meio da Medida Provisória 1.000, que estendeu o auxílio emergencial até o fim do ano.

O governo pagou o 13º para beneficiários do Bolsa Família pela primeira vez em 2019, após promessa de campanha de Bolsonaro. Caso pagasse pelo segundo ano seguido, Guedes disse que isso configuraria uma despesa permanente, exigindo uma compensação por meio de corte de outra despesa ou aumento permanente de receitas. Esse corte, segundo ele, não foi possível “pelo pandemônio da pandemia”.

“Se der 13º do Bolsa pelo segundo ano seguido, é crime de responsabilidade porque não houve provisão”, disse o ministro.

Ele explicou ainda que a exceção dada pelo Congresso por meio do orçamento de guerra, que livrou o governo de amarras fiscais e da necessidade de compensações, vale apenas para gastos relacionados à pandemia, o que não é o caso do 13º do Bolsa Família. “Acabou esse espaço fiscal”, disse.

Do orçamento de R$ 32,5 bilhões do Bolsa Família, foram empenhados até agora R$ 18,88 bilhões. A execução está abaixo porque boa parte dos beneficiários do programa foram transferidos para o auxílio emergencial.

Como exemplo das dificuldades que o governo enfrenta para implementar políticas devido às compensações necessárias para a responsabilidade fiscal, ele citou que é a favor da desoneração da folha (reduzir encargos cobrados das empresas sobre os salários dos funcionários), mas para isso precisa nova receita. “Há coisas que não conseguimos fazer”, disse.

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'Se tem uma sociedade avançada vacinando, vou olhar e dizer 'quero essa aí'', diz Guedes

Ministro disse que faz parte do grupo de risco e precisa se proteger, mas defende a vacinação voluntária contra o coronavírus

Lorenna Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 13h27

BRASÍLIA - Questionado se tomará a vacina contra o coronavírus, o ministro da economia, Paulo Guedes, disse ter direito à privacidade, mas ponderou que faz parte do grupo de risco e precisa se proteger. 

“Se há uma vacina aí, com duas sociedades extraordinariamente avançadas e civilizadas vacinando, vou olhar e falar 'quero essa aí, rápido'. Já estou exposto esse tempo todo. Já falei até mais do que devia, tinha direito à privacidade”, afirmou.

Os Estados Unidos e o Reino Unido já começaram a vacinar suas populações com o imunizante produzido pelo laboratório Pfizer.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro declarou que não tomará a vacina contra o coronavírus. “Eu não vou tomar a vacina. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu e ponto final”, afirmou, no programa do apresentador José Luiz Datena, da TV Band.

Guedes disse que, como qualquer brasileiro, tem o direito de escolher se vai se vacinar, mas que, como ministro, defende a vacinação voluntária e gratuita. “Se alguém não quiser tomar, tem que ter direito. Mas também não pode ir ao cinema”, afirmou. “Gostei da ideia de ter um passaporte de imunização, que poderia ser pedido na entrada do shopping, por exemplo.”

O ministro acrescentou que, do ponto de vista econômico, é “evidente” que a vacinação é um investimento que tem que ser feito pelo governo. “O auxílio custa R$ 55 bilhões por mês, a vacinação de toda a população, R$ 20 bilhões, menos da metade”, comparou. Guedes afirmou que tem ajudado todos os ministros da Saúde, “o primeiro, o segundo, o terceiro”.

Enquanto 14 ministros e o próprio presidente Jair Bolsonaro foram contaminados pelo coronavírus, Guedes ressaltou que até agora conseguiu não ser atingido, mas que tem de tomar cuidados. 

“Trabalhei esse tempo todo no meio de uma porção de gente que pegou”, lembrou. “Tenho 71 anos, tenho que me cuidar. Tenho amigos e parentes atingidos, tenho enorme sensibilidade.” 

Guedes comparou a privacidade em relação à vacinação com o sigilo do voto. “Eu como cidadão tenho direito à privacidade sobre se vou tomar e qual vacina tomarei. É como o voto, por exemplo. Perguntam se eu votei, em quem eu votei. Vai que meu candidato está criticando o governo? Tenho direito à privacidade”, completou.

O ministro disse que é “assustador” o Brasil voltar a registrar mil mortes por dia relacionadas ao coronavírus. “Se fosse segunda onda, seria uma situação bem mais grave, estamos observando. O plano A hoje é doença cedendo e economia voltando, [auxilio emergencial] termina 31 de dezembro. Teremos que pensar no que fazer se realidade não for essa”, afirmou. “Se precisar agir, vamos agir”.  

Para o ministro, a “grande esperança” é a vacinação em massa da população e é o que vai garantir retorno seguro ao trabalho. “Estamos começando o ano com boas perspectivas, como estávamos no início do ano”, completou. Ele disse ainda que é necessário analisar questões como isolamento social e retorno ao trabalho. “Foi nosso comportamento que botou economia de volta e também causou repique [nas mortes]”. 

O ministro chegou a dizer que as mortes haviam caído a 200 por dia e que essa queda havia dado um “claro sinal” de que a crise de saúde estava terminando”.  

Sobre uma eventual renovação do auxílio emergencial, Guedes disse ainda que é uma decisão que tem que ser tomada com responsabilidade fiscal e apontando fontes de financiamento. “A classe política tem que escolher ‘vou renovar auxílio, mas não tem aumento’”, completou. 

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'Se todo mundo ao mesmo tempo falar, 'vamos furar o teto', viro Brumadinho', diz Guedes

Ele disse ser o ministro 'mais vulnerável' e 'demissível em cinco minutos' e se comparou a uma represa

Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 14h10

BRASÍLIA - Chamado pelo presidente Jair Bolsonaro de “Posto Ipiranga” do governo para temas econômicos, o ministro Paulo Guedes rechaçou nesta sexta-feira, 18, o carimbo de “superministro” e disse ser “o mais vulnerável” e “demissível em cinco minutos”. Pressionado de forma recorrente a aumentar gastos, Guedes se comparou a uma represa e afirmou que, se todos os colegas de Esplanada partirem para cima dele em busca de mais despesas, ele vira Brumadinho - em alusão à represa da mineradora Vale que se rompeu, despejou toneladas de rejeitos e matou 270 pessoas.

“Nunca acreditei que sou superministro de nada. Sou demissível em cinco minutos. Quem é que é super se pode ser demissível em cinco minutos? Não existe isso. Uma pessoa que pode ser demitida em cinco minutos não é ser super nada, só se for bobo, só se achar que tem um poder que não tem. Eu sou ministro como os outros e sou o mais vulnerável, sempre fui, sempre disse isso nas nossas reuniões de ministros”, disse Guedes em coletiva virtual para apresentar um balanço de fim de ano.

O ministro disse que tem atuação transversal na Esplanada e, por isso, se comparou a uma represa. Ele afirmou que pode atuar como Itaipu, gerando energia para todo o governo, ou Brumadinho, a represa que foi palco da tragédia no início de 2019, caso todos os ministros comecem a pressionar por gastos e queiram furar o teto de gastos, a regra que limita o avanço das despesas à inflação.

“Se todo mundo partir ao mesmo tempo para falar 'vamos furar o teto', viro Brumadinho. O troço vaza, vai embora, em três, quatro meses estou no chão. Não tenho a menor ilusão quanto a isso”, disse.

Guedes ressaltou que, embora seja “vulnerável” a todos os ministros, pois todos podem brigar com ele, tem contado com a compreensão dos colegas. Sem mencionar os embates que já teve com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, ele citou os nomes de Tereza Cristina (Agricultura) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e ministros militares como compreensivos - embora tenha reconhecido que “um militar aqui ou li tem uma resistência”. “Mas quando senta e conversa, apoia”, emendou.

“Desfrutei da colaboração de ministros e da confiança do presidente em todo esse tempo. Turbulência e confusão são inerentes ao problema (da pandemia)”, disse o ministro, afirmando que a doença “deixou todo mundo um pouco tonto, irritado, ansioso”.

“Confio que ele (presidente) entende que eu preciso ter espaço para agir”, disse Guedes.

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