Em Nova York, Meirelles reafirma o discurso da estabilidade

Em palestra para empresários, analistas e investidores estrangeiros na Câmara de Comércio Brasil-EUA em Nova York, o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que o governo Lula quer deixar uma mensagem clara para o mercado. "A mensagem clara que quero dar é que este governo considera uma precondição para o crescimento a estabilidade de preços definida pelo Conselho Monetário Nacional com a meta de 5,5% para a inflação deste ano." Ele citou a política monetária como um dos pilares da economia brasileira. Segundo ele, a estabilidade de preços permite maior previsibilidade da economia. "A previsibilidade é algo novo e muito importante no Brasil", afirmou Meirelles, dizendo que a previsibilidade garantida pela maior estabilidade da economia permitiu, por exemplo, que os exportadores pudessem planejar, resultando no ótimo desempenho da balança comercial. "O regime de metas de inflação, combinado com o regime de câmbio flutuante, permitiu no ano passado a melhoria dos fundamentos do País". Ajuste fiscal Meirelles afirmou que outro pilar que levou à recuperação da economia brasileira foi a disciplina fiscal. Ele citou como ponto importante o aumento da meta de superávit primário para 4,25% do PIB. "Isto foi uma boa notícia, mas o mais importante é como esta meta foi obtida e que medidas foram tomadas para dar sustentabilidade a este superávit nos próximos anos", afirmou. Ele destacou a "qualidade" do ajuste fiscal, lembrando que o nome do jogo foi "austeridade fiscal" e não "depender de receitas extraordinárias". Meirelles destacou para os investidores e analistas que o Brasil sofreu ao longo de 2002 um cenário adverso que resultou na perda de linhas externas equivalentes a 5% do PIB. Esta crise de liquidez acabou resultando num ajuste drástico das contas externas do País. "Mas outros países sofreram ajustes semelhantes e tiveram uma queda do PIB entre 7% e 15% no ano seguinte. A queda do PIB brasileiro em 2003 foi de apenas 0,2%, o que, comparado com outros países que passaram por situação semelhante, não é uma má notícia; isso mostrou a capacidade de resposta da economia brasileira a choques", afirmou. Meirelles destacou também o crescimento do PIB no terceiro trimestre de 2003, que foi equivalente a uma taxa anualizada de 6,01%. "Enfatizo esta taxa anualizada proque ela dá uma indicaçao do caminho de recuperação em que a economia se encontra no momento", disse. Máquina poderosa Ontem à noite, ao discursar em um jantar em que foi homenageado pela Escola de Assuntos Públicos Internacionais da Universidade de Columbia, Meirelles afirmou que o governo do presidente Lula está construindo uma economia, que "é uma máquina poderosa com um coração". Ele fez essa referência para dar ênfase ao fato de que o atual governo quer o crescimento econômico para toda a sociedade brasileira. A apresentação de Meirelles à platéia foi feita pelo professor Albert Fishlow. O presidente do BC disse que apesar da ligeira retração do PIB no ano passado, o resultado do último trimestre de 2003, que teve crescimento de 6,1%, aponta crescimento do PIB para este ano. Na platéia, entre as personalidades, estava o prêmio Nobel de economia Joseph Stinglitz, professor da escola de Columbia. Reunião do BID no final do mês Meirelles participará, no fim deste mês, da 45ª Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da 19ª Reunião Anual da Corporação Interamericana de Investimentos (CII) e de reuniões bilaterais com investidores em Lima, no Peru, para isso se afastando do País de 27 a 30 deste mês. O despacho do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, autorizando o afastamento de Meirelles, foi publicado hoje no Diário Oficial.

Agencia Estado,

10 Março 2004 | 11h31

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